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VISÃO RÁPIDA DO ROMANTISMO-PARTE II



CONTEXTO HISTÓRICO ANTES DO ROMANTISMO - Ao início do século XIX, nossa “independência” política e social:  vinda da família real;  logo após a chegada da corte, série de transformações sociais e econômicas que visavam ‘suavizar’ a administração de Portugal daqui do Brasil:  abertura dos portos;  fundação do Banco do Brasil;  criação dos tribunais de finanças e de justiça;  permissão para o funcionamento de indústrias em geral,  implantação da imprensa, veículo de difusão cultural;  fundação da Academia Militar e da Academia de Cirurgia;  inauguração da Biblioteca Real, com 60 mil volumes.

SOBRE  ALGUNS POETAS ROMÂNTICOS:

1--GONÇALVES DIAS (1823/1864) - filho de um português e uma guajajara, matriculou-se em Direito (formou-se a duras penas! - tempos depois, lecionou latim), na Universidade de Coimbra, 1840, onde teve contato com escritores portugueses que cultuavam a Idade Média.  Em 1843, saudoso do Brasil, escreve a “Canção do Exílio”;  alguns anos depois, volta, vive inteira fase literária e agitados casos amorosos, o principal, frustrado, com a jovem Ana Amélia por preconceitos familiares e raciais;  em 1862, retorna à Europa para tratamento da saúde;  de volta ao Brasil, morre em 1864 no naufrágio do navio Ville de Boulogne, o único afogado.  ---  Poesia em 3 fases:  1-- lírica - visão de amor própria do homem romântico, subjetiva, dor e sofrimento beirando o ultra-romantismo, coração acima da razão;  2--medieval - série de poemas escritos em português arcaico (“figurinos do século XIII”, palavras dele), reunidos sob o título “Sextilhas de Santo Antão”;  3--nacionalista - ora exaltação à pátria distante ora idealização da figura do índio /não o mito de Rousseau e sim a ideologia do selvagem pela realidade humana/, o máximo de sua arte, embora europeizado, mais próximo da realidade, se comparado ao índio alencariano:  saudade por causa do exílio, com insegurança financeira + exaltação da natureza brasileira; carga lírica-dramática-épica em “Os timbiras”;  métrica, musicalidade e ritmo em “I-Juca Pirama”, escrito em redondilha maior;  escreveu um dicionário da língua tupi.

I-JUCA PIRAMA - Gênero:  poema épico indianista.  Tradução do nome:  ‘o que será morto’.  Índio  cavaleiro feudal sem mancha (aqui, mais simbólico - em Alencar, mais individual), herói para exaltação nacional.  Índio tupi, moço, caiu nas mãos dos timbiras .  Na época do descobrimento, os tupis ocupavam todo o litoral e os vales amazônicos - timbiras/tapuias habitavam o Maranhão).  “A antropofagia não acontecia por fome e sim por ódio e inveja - “festa” com cauim, corda ‘mussurana’ (feita em algodão ou embira, na maioria das vezes) para amarrar o prisioneiro, danças, enfeites, o privilegiado timbira conversa orgulhosamente e dá o sinal para o golpe na nuca, usando a maça bem ornamentada do sacrifício;  os miolos saltam, as mulheres esfolavam o cadáver até ficar bem alvo...” - depoimentos do alemão HANS STADEN e do francês JEAN DE LÉRY.  Acontece que o prisioneiro canta seu cântico de morte e pede para socorrer o velho e cego pai.  O chefe dos timbiras o solta, ele corre para a floresta, voltam para a tribo inimiga, o chefe timbira chama o tupi de covarde porque chorou diante da morte e o pai o amaldiçoa;  o filho solta nos ares um grito de guerra e sozinho enfrenta os timbiras.  Diante de tanta coragem, o chefe dos timbiras o perdoa e o pai também,  Um velho timbira repete a estória ao meninos de sua tribo e, ante qualquer dúvida ou incredulidade, repete sempre:  “Meninos eu vi.”

2--CASTRO ALVES (1847/1871) - poeta muito popular e, contrariamente aos românticos, não se fixou no EU, mas se revelou um homem ciente dos conflitos de seu tempo e questões sociais e políticas do país:  defendeu a República, a abolição dos escravos, e igualdade e rechaçou a opressão.  ---  Poesia em 3 fases:  1--poesia subjetivista - poeta lírico que canta os ideais, o amor e a morte, emoções chegando ao erotismo, transmissão de sua vivência amorosa - visão da mulher é mais realista, sensual, amante e chega ao amor físico;  /  2--poesia patriótica, exaltação de nossa natureza, da nossa paisagem, da nossa história;  /  3--poesia social, dedicada aos ideais da Abolição, ironizando a tirania dos poderosos e denunciando a realidade dos crimes perpetrados contra os escravos - em 1863, adesão pública à luta abolicionista, publicando o poema “A canção do africano”, o que lhe rendeu o epíteto de “o poeta dos escravos” (verdade é que o país sobrevivia graças à instituição da escravização do braço negro).  A eloquência dos versos e a ênfase oratória, franca denúncia social,  levava o povo às ruas, num apelo à participação nas lutas abolicionistas e republicanas.  “A praça!  A praça é do povo como o céu é do condor  É o antro onde a liberdade cria águias em seu calor.” - CASTRO ALVES  // “A praça Castro Alves é do povo como o céu é do avião.” - CAETANO VELOSO.

                                         F  I  M

 
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 30/04/2017
Código do texto: T5985369
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 50 anos
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