Esperança
 
   O Brasil foi às urnas. Do Oiapoque ao Chui viu-se imagens expressivas da caminhada de esperança rumo a escolha de nossos governantes e legisladores. É sempre bonito ver-se a democracia no momento do voto. Conhecidos os candidatos e conhecidas suas propostas, chega a vez, a nossa vez de julgar. Parece-me que este processo se assemelha ao casamento. Vamos a ele com amor ou paixão, mas quase sempre com algum sentimento de insegurança.
   Neste momento de decisão, percebe-se a mãe que mal consegue com o filho no colo, cumprir o seu dever cívico de votar. O ancião que tem o privilégio constitucional do voto livre — dele não se beneficia ou afasta — banha-se e veste o terno da cidadania, com certeza bem guardado, protegido, sem manchas. No coração o voto... consciente, decidido, esperançoso como o Brasil, jovem como sua alma, que nas mãos trêmulas tremula ainda a esperança. Este é o Brasil que caminha no asfalto das grandes cidades, na embarcações dos rios e nas estradas de terra.
   Atribui-se aos mineiros virtudes excelsas de comodimento, simplicidade , pureza, humildade, modestia, coragem e bravura, fidalguia e elegância. Juscelino Kubischek, o presidente J.K., soube difindiir e realçar essas tendências de vida. Pois não é aqui, no berço de Tiradentes, que se buscou estes exemplos vitoriosos? O Cristo Redentor do Corcovado viu nascer na cidade maravilhosa, que aos seus pés se estende o Rio de Janeiro, o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso. Mas foi aqui, nas Minas Gerais, que ele encontrou o jesto das mãos abertas de J.K., e, no sorriso conciliador, que também é seu, estabeler-se-á certamente o dialógo às nossas atuais e urgentes espectativas de progresso.
   Perguntado ao futuro presidente se o se governo seria exercído por intelectuais acadêmicos, saídos das cátedras das universidades, ele disse que não. Nós sabemos que a cultura e educação desejadas por Rabelais, é praticamnente impossível, e exigiria a elite que habitava a "Abadia de Telema", esta elite de inteligência e beleza, sob todas as suas formas, inexiste. O que não se impede de desejar como fez Rabelais, mas desejar com os pés bem firmes na realidade de nossa sociedade.
   O presidente eleito, sociológo Fernando Henrique Cardoso, tem a consagração da grande vontade da maioria do povo brasiliero. Nele depositamos a esperança nacional. Deverá ele encontrar forças nas vicissitudes do passado, no sofrimento e na dor do exílio da pátria querida. Deverá ele encontrar também o caminho, com a sua visão de pensador dos temas, problemas, soluções e objeções às soluções internacionais e nacionais, da integração das massas no Estado pela participação da cultura, comunicação nacional e distribuição racional da riqueza. Tudo isso com a participação de todos e no convívio da pátria que agora o escolhe como o seu principal filho e dirigente.

                                              Roberto Gonçalves

 
RG
Enviado por RG em 24/02/2014
Reeditado em 24/02/2014
Código do texto: T4704260
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