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Os Trinta Anos da Queda do Muro de Berlim

O mundo hoje comemora trinta anos da queda do Bloco Leste do muro de Berlim, provocada pelas primeiras manifestações comandadas por Moscou, que redundou na demolição de todo o muro e a partir do final da década de 1980, na queda do bloco comunista na Europa Oriental. O Muro de Berlim (Berliner Mauer) foi uma barreira física construída pela República Democrática Alemã, que separava a Berlim Ocidental (capitalista) da Alemanha Oriental (socialista) e de toda a Berlim Oriental.

A derrubada do muro, na passagem do dia 9 para 10 de novembro de 1989, não representou apenas a reunificação física da Alemanha, separada em duas nações desde o final da Segunda Guerra Mundial. Simbolizou também a unipolarização do mundo, até então divido em dois blocos pelo conflito político-ideológico entre capitalismo e socialismo que fez do mundo alemão o maior cenário da guerra fria. Ao reduto oriental do muro, liderado pela República Democrática Alemã (RDA), imperava o socialismo, constituído pelos países socialistas do regime soviético. Ao lado ocidental, o capitalismo, constituído pelos países capitalistas sob a superintendência dos Estados Unidos.

Naquele dia o mundo assistiu maravilhado ao que foi considerado um dos momentos mais marcantes da sua história. Abria-se uma porta global, em que as lideranças das duas maiores potências mundiais, Estados Unidos e Republica Democrática Alemã, deram o primeiro passo para a reorganização da política mundial. Porém, não há dúvidas de que após a queda do muro físico de Berlim, as barreiras no campo da diplomacia persistiram, e não são poucos os fantasmas "dos muros invisíveis" que assustam o mundo e persistem em se erguerem a partir dos discursos dos líderes democráticos.

Considerando que, na realidade, pouca coisa mudou de fato ao longo desses 30 anos, ignorar a existência de "muros invisíveis" é, no mínimo, um ato de extrema ingenuidade. Os países mais ricos detêm o domínio da política mundial e são eles que ditam as regras, impões embargos e criam barreiras aos que não se lhes submetem.

A desigualdade entre classes é uma das maiores barreiras a afligir a sociedade mundial. Ao longo desses 30 anos, depois da queda do famigerado Muro de Berlim, outros muros foram derrubados e muitos outros foram também levantados. E alguns, por incrível que pareça, só não foram literalmente erigidos por se esbarrarem nas instituições democráticas e nas opiniões contrárias das civilizações em massa.

A repercussão negativa das promessas de campanha de Donald Trump, de construir um muro para impedir a entrada de refugiados em terras americanas, por exemplo, representa o quanto o mundo aprendeu com o fim do muro alemão. Parece ironia, mas é a verdade nua e crua; Trump pretende reerguer um muro que seus antepassados ajudaram derrubar.

O muro que o presidente Trump pretende construir, na verdade, já existe. O tal muro está presente não somente nos países ricos e desenvolvidos, que promovem toda a sorte de política para interromper uma das maiores ondas migratória que o mundo já assistiu, mas a própria debandada de refugiados de suas terras de origem, em busca de abrigo em outros países, por si só, representa um sinal claro da existência de muitos muros da desigualdade e da repressão em diversos países.

Em relação ao Brasil, felizmente, pelo menos no que diz respeito à questão dos refugiados, parece que esse muro não existe. As autoridades brasileiras, a exemplo da sua população, têm adotado e aplicado políticas justas de acolhimento de pessoas refugiadas. A solidariedade do povo brasileiro é um exemplo que vem lançando por terra diversas "paredes invisíveis", cujos efeitos vem causando cada vez mais a chegada de pessoas em busca de refúgio e menos desigualdade em terras brasileiras.

Mas isso não é tudo. Em relação à política interna em prol da sociedade brasileira, por exemplo, às vezes há progressos e às vezes retrocesso. Não é preciso ser jurista para saber que o combate à corrupção e à criminalidade, no Brasil, levado a efeito por uma minoria de políticos e juristas, foi uma rasteira na maioria dos políticos corruptos, os quais viviam em lua-de-mel com banqueiros e empresários, um verdadeiro paraíso fiscal, enquanto a maioria da população padece suas políticas de achatamento econômico.

Como não poderia ser diferente, não obstante os muitos esforços para se derrubar o muro da impunidade e da desigualdade no Brasil, levanta-se frequentemente algum defensor jurista à procura de brechas na legislação para defender seus correligionários. O povo brasileiro assistiu recente a uma dessas manobras com objetivo de evitar a prisão de condenados em segunda instância, cujos benefícios alcançam apenas os ricos e seus protegidos. É lamentável que grande parte da sociedade não perceba o que há de errado nisso.

Em termos de direitos e igualdades, o presente legado da Suprema Corte não representa apenas um retrocesso, mas também uma ducha de água fria na civilização menos favorecida. Aqueles que lutam à duras penas para viver dificilmente terão recursos para defenderem Seus direitos. Caso necessitem de assistência, grande parte dessa classe ficará à mercê do Estado. Em outras palavras, o muro fantasma que separa os mais pobres dos mais ricos, ameaçado de queda pela Operação Lava-jato, acaba de ser reestruturado pela mais alta instância do poder judiciário brasileiro, a Suprema Corte, e está ainda muito mais longe de ser aniquilado.

Por: Hanilton Ribeiro de Souza

Hanilton Di Souza
Enviado por Hanilton Di Souza em 08/11/2019
Reeditado em 08/11/2019
Código do texto: T6790472
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Hanilton Di Souza
Curitiba - Paraná - Brasil
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