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CASO TAM: ESTÃO BRINCANDO COM A VIDA HUMANA

18 de julho de 2007

O desastre ocorrido neste dia 17 de julho com o avião da TAM, em São Paulo, mais do que revela: confirma a fragilidade da aviação no Brasil, deixando uma pergunta no ar: de quem é a responsabilidade maior? Das empresas, do corpo funcional de cada uma delas, do governo ou de quem mais? Pergunta esta que segue não respondida, enquanto passageiros de transporte aéreo continuam entregues ao medo e à própria sorte.
Acidentes ocorrem em todo o mundo, com todos os meios de transporte, mas parece que apenas no Brasil uma situação como esta se arrasta indefinidamente, ultrapassando a casa do absurdo. É como se fosse apenas uma moda capaz de, no máximo, causar algum desconforto à sociedade brasileira.
Vidas. É com vidas que se está brincando, como se fosse com bonecos; robôs; seres inanimados; algo sem sentidos nem sentimentos.
Não se faz aqui uma análise dos fatos, pois isto não é uma ópera, é tragédia real. O país está chocado e já tem gente demais ganhando dinheiro para analisar uma situação que todo o mundo, desde a pessoa mais simples, sabe entender de alguma forma. De modo geral, é uma irresponsabilidade que não tem apenas um culpado. Há muita gente brigando por muita coisa, entre governo, empresas e funcionários, cada um pensando em si, em seus lucros e prejuízos, e ninguém pensando nas vidas que se vão por causa disto.
Quem tem a perder é sempre o passageiro, enquanto ninguém entende que toda briga é justa, no que se refere a direitos trabalhistas, salários e outros itens fundamentais para funcionários de qualquer setor, mas que essa briga deve ser entre empregados, empregadores e outros interessados internos, sem jamais vitimar pessoas. Lidar com vidas requer muito mais do que se preocupar com o próprio umbigo e o conforto dos entes queridos.
Médicos, educadores e outros profissionais que lidam com a vida e o futuro alheios têm que ter a grandeza de se prejudicar, se for o caso, para preservar aqueles que dependem de suas funções. É o caso dos funcionários da aviação, que lidam diretamente com o passageiro de uma forma estreita, de modo a pôr sua vida em risco , dependendo das medidas que tomem por alguma razão, seja lá qual for. Chega-se ao ponto em que as lutas a princípio legítimas viram casos de assassinato, se bem analisadas em seus teores.
Está na hora de todos os profissionais de setores essenciais à vida e à cidadania (não há como não passar pela educação) repensarem certas posições. Certas posições erradas, para sermos claros. Ou este país nunca sairá do atraso em que vive, com pessoas e instituições agindo como bárbaros e tribos de tempos medievais. O que ocorre hoje, em nome de certas reivindicações, é uma espécie de canibalismo social.
Por mais que possa parecer que este ocorrido não tem a ver com episódios recentes, que a natureza deste acidente é oposta, insisto que tem sim, passa pelos problemas que o transporte aéreo vem sofrendo faz tempo, no Brasil.
Será que alguém leu este artigo? E se leu? Será que alguém conseguiu faze-lo sem rir do autor, chamando-o sonhador e romântico? Talvez não seja moderno pensar no próximo, mas neste caso, não há como avançar como membro do século em que vivo. Devo ser um acomodado, que ainda pensa nesta questão , e por isso não progride... Não é assim que a sociedade atual raciocina?


Demétrio Sena
Enviado por Demétrio Sena em 18/07/2007
Reeditado em 23/07/2007
Código do texto: T569412
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Demétrio Sena
Magé - Rio de Janeiro - Brasil, 60 anos
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