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Os brutos também amam

* Publicado no Jornal "O Mossoroense" em novembro de 2007.

Diante de tantas barreiras machistas impostas pela sociedade atual, arrisco-me com certo pioneirismo, a falar de amor para estimular tanto os amigos quanto os leitores, a fazerem tão logo degustem estas páginas, uma declaração de amor para sua companheira.
Prestes a completar a maioridade do primeiro beijo, lembro-me com alegria de quantos bons momentos vivi nestes 18 anos ao lado de minha esposa.
Tudo começou com algo diferente no céu do hemisfério sul naquela manhã de primavera de 1989. No meio de tantas rosas que coloriam a paisagem, uma delas me chamou a atenção. Tinha uma beleza singular e exalava muito mais que perfume. Era uma essência nunca antes sentida por mim.
Eu andava meio perdido, amargando aos finais dos meus dias, equinócios de solidão. Necessitava com urgência de um sentido para a inquietude que sempre fez parte dos meus sonhos. Os pensamentos eram vagos e sem objetividade.
Apesar de ter aprendido a me aquecer sozinho com o frio do inverno, a passear anônimo sobre as folhas secas caídas do outono, inalado sem prazer o perfume da primavera e apreciado sem paixão os torneados corpos no verão, “ela”, era uma estação desconhecida que unia tudo e me acalmava a alma. Eu só não tinha noção de sua tamanha importância para a minha vida. Aprendi com ela até mesmo o que achava que já sabia. Na verdade, eu não sabia nada, só tinha certeza que aquela mulher mudaria o rumo do meu futuro.
Quando aconteceu, tive a convicção de que tudo que move é realmente sagrado e, que as palavras de Dreepak Chopra “Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento”, diziam exatamente o que sentia o meu coração. Eu sempre soube que o amor é uma encenação ao vivo, não permite erros nem ensaios e como nunca tive medo dos meus sentimentos, não tinha outra alternativa se não mergulhar fundo naquela paixão.
No momento em que ocorre o flash de paixão ou talvez amor, no meu caso foi amor à primeira vista, como disse o meu amigo Jabbor, a idiotice é vital para se alcançar a felicidade. Transformei-me no mais completo dos idiotas; escrevi cartas de amor, declamei poesias apaixonadas, gastei todas as mesadas em caixas de chocolates, flores e entradas para cinemas. Naquele momento eu não tinha como passar para ela outra impressão. Tudo o que eu fazia era com a alma e nada poderia alterar este rumo.
Os dias foram passando, somados as semanas e aos meses, completando anos... Olho no espelho 18 anos depois e ainda sou o mesmo idiota, na verdade, um idiota máster, gora bem mais experiente. No lugar das cartas, colo bilhetes no vidro do banheiro; no lugar de declamar poesias apaixonadas, publico-as no jornal para que todos saibam da imensidão do meu amor; as caixas de chocolates, nós comemos juntos em cima da cama assistindo a um filme de amor e ao invés de gastar a mesada nos cinemas, adoro sair com ela para namorar num barzinho acompanhado de uma boa música.
 Tudo passa tão rápido e quase nunca conseguimos acompanhar a velocidade da rotina. A monotonia toma conta de tudo e o romantismo de namorados se perde nos problemas do cotidiano. Precisamos entender que continuar apaixonado e ser feliz, não significa que no nosso céu não haverá dias de tempestades, trilhas sem acidentes ou relacionamentos sem decepções. Na caminhada de um casal ter problemas será inevitável. O maior problema de todos é transformar os menores em maiores e os grandes em infinitos, deixando a essência da paixão morrer nas lembranças do passado.
Regar, sempre regar a nossa relação. Eis, o segredo.
Muitos dizem que filhos atrapalham uma relação. Concordo: Com Isadora (10), Pedro Henrique (6) e Maria Fernanda (2) em cima da cama, é impossível descolar um simples beijinho. No entanto, quando eles estão dormindo... Nós também estamos... Ah, ah, ah, essa turma de hoje dorme tarde.
Filhos não atrapalham nada, eles são elos maravilhosos de ligação entre marido e mulher. Quantas noites fizemos escalas de plantões para que um pudesse ficar acordado e o outro que sairia para trabalhar mais cedo pudesse dormir mais? Trocar fraldas, dar banho, comida, deixar na escola para o outro pegar, festas dos pais, jogos escolares... Eles têm nos unido mil vezes mais do que nos separado.
Acho que o homem tem grande parcela de culpa no resfriamento de uma relação. As mulheres gostam de ser mimadas, galanteadas e principalmente amadas. Não importa a mim quantas celulites ou estrias ela venha a ter, não são as pernas dela que me fazem feliz. Eu preciso do conjunto da obra. Do seu beijo, do sorriso, dos conselhos, dos elogios, do carinho, da sua amizade.
Queria escrever mais, continuar com minhas idiotices, dizer sandices de paixão, porém, sei que o jornal não é meu e que outros leitores talvez não queiram ler minhas bobagens. Assim, tenho que encerrar com a frase que tenho dito em todos os 6.570 dias que passamos juntos; Nayara, se Deus lhe escolheu para ser a mulher dos meus sonhos e ser amada por mim, eu jamais irei decepcioná-lo.
Henrique Gondim
Enviado por Henrique Gondim em 12/11/2007
Código do texto: T734202
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Henrique Gondim
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 52 anos
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