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Pastoral carcerária e a violência

 

            Quando se fala em pastoral carcerária, para uma grande parte da sociedade este trabalho não é visto com bons olhos, pois logo já se imagina que a pastoral defende bandidos. Para os presos o que precisam é de repressão, isolamento... Enfim é desprezo total. 

            Pois bem, é preciso ressaltar que dois motivos são fundamentais para a atuação da igreja nesta pastoral uma é evangélica a outra é social e que colabora a dignidade do homem e consequentemente a diminuição da violência. 

            Quando falamos em princípios evangélicos, estamos dizendo em condição de ser discípulos de Jesus, isto é, não tem como ser cristão e ignorar o irmão. Um dos fundamentos básicos nos ensinamentos de Jesus é que não nos cabe julgar, e sim amar. Todos temos que amar uns aos outros independentes ser nosso ou não amigo. Amar o irmão não significa compactuar com o erro, mas amar além do erro e das diferenças. 

            Ser cristão é ter um olhar misericordioso, ser profeta – profeta é aquele que anuncia e denuncia – é não aceitar passivamente as injustiças. Partindo destes princípios vemos que grande parte dos presos são conseqüências da exclusão, omissão tanto do estado quanto de nós mesmos em relação aos nossos irmãos. Enfim, exclusão é um pecado cotidianamente cometido por todos nós.
 

            Jesus disse; estive preso e vieste me visitar, também por uma noite Jesus esteve preso, sofreu violências e foi condenado a morte. Ele em muito se assemelha ao excluído, nasceu fora da cidade, viveu e morreu também fora da cidade. 

             Se analisarmos a grande maioria dos encarcerados se assemelham neste sentido a Cristo, já nasceram excluídos, sem direito a educação, a formação moral, espiritual e passam pela vida sem jamais serem vistos, vivendo toda ela atrás dos muros das cidades. Sendo assim, cabem aqueles que se dizem seguidores de Jesus ver nestes irmãos a face Jesus excluído. Certamente, quando isto ocorre também temos a resposta de Deus muitas vezes as nossas indagações. 

            Quando falamos sobre a questão da violência, é notório que todos os presídios onde o preso é tratado com dignidade, respeito há um índice mínimo de reincidência, porque, neles há todas as condições e ambiente para que ele possa cumprir sua pena e ao sair reconstruir sua vida. Nestes presídios o preso é tratado como gente, tendo sua dignidade como ser humano e também como filho de Deus.  

            Não tem como uma pessoa viver grande parte de sua vida dentro de um sistema carcerário onde é visto e tratado como animal sem nenhuma condição de reeducação educacional; sem um desenvolvimento espiritual; sem a atenção do Estado; sobre a violência da sociedade discriminatória ser alguém que não vai reincidir novamente em crimes e delitos. Plantamos o que colhemos.

            Se a pedagogia moderna educacional diz que toda violência dos pais trazem conseqüências graves aos filhos adultos como medo, desajustes emocionais... como imaginar que agindo com violência ao preso vai esperar receptividade dele quando cumprir sua pena? 

            Enfim, proporcionar um cumprimento de pena digna ao preso é promover a diminuição da violência. É uma questão lógica e racional. Jamais podemos perder de vista que o preso ao ser julgado, condenado mais cedo ou mais tarde retorna a sociedade, e sua resposta à ela será o que recebeu quando estava preso.  

Ataíde Lemos
Enviado por Ataíde Lemos em 25/11/2007
Reeditado em 25/11/2007
Código do texto: T752445
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Sobre o autor
Ataíde Lemos
Ouro Fino - Minas Gerais - Brasil, 52 anos
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