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CRISTÃOS JUDEUS

Buenos dias, querido amigo Rogelio Amaral!

Graças pela amizade e compreensão. Muito me agrada fazer parte de sua família dos Amaral e nossa família hebréia.

Se me perguntas se sou Ministro. Não sou. Em nossa igreja muitos leigos tem largo conhecimento das Escrituras e da história. As pessoas são instruídas desde o início a entenderem a Palavra, e desde a infância as crianças são ensinadas, sem fazer discriminação deste o daquele ponto por qualquer que seja o motivo.

No início do séculos XX meu bisavô era capelão da igreja Católica no Município de Rolante, mais precisamente na comunidade conhecida por Fazenda Passos. No ano de 1905 sua sobrinha não mais o ajudou no ofício de lá missa, motivo pelo qual ele decidiu expulsar o pastor adventista da localidade.

Indo a casa de sua sobrinha, inquiriu da decisão de não mais oficiar em seu auxílio na missa, indagando de onde os adventistas tinha tirado a autoridade para contrariar os ensinos da igreja Católica e converter seus membros ao adventismo. Então propôs-se a mostrar para ela através da Bíblia q ela estava errada juntamente com os adventistas. Por isto ficaram a noite inteira a estudar as Sagradas Escrituras. Ao findar da noite, quando eram oito horas da manhã, meu bisavô disse que bastava de estudo por hora, haja vista que fora convencido e decidira que de aquele dia em diante ele e sua família seriam adventistas. Então naquele tempo, meu bisavô de parte de mãe, Francisco Liunardo, vulgo Chicão, mais meu avô, Sebastião Francisco dos Santos, além de seus irmãos, foram batizados segundo o batismo de João Batista, depois ordenado por Cristo, imersos nas águas.

Conheço a história de um judeu que vivia a indagar-se sobre o Messias prometido, aguardando a chegada do Ungido de Deus para seu povo. E ele trabalhava numa empresa de construção no Iraque, onde fez amizade com um trabalhador que costumava pedir a bênção sobre a refeição toda vez que comia, como é costume judaico. Por essa semelhança, e cheio de curiosidade, aproximou-se do trabalhador a quem conheceu e descobriu que se tratava de um cristão adventista, com quem logo foi se identificando justamente por causa de santificação do Sábado, do não comer carne de porco, bem como pela observância da Lei e de todas as normas de saúde descritas na Bíblia. O admirou muito mais ainda perceber como o filho de pouca idade do colega era versado nas Escrituras enquanto os meninos judeus liam uma parte da Torá em algum evento especial, como o Bar Mitzvá. Por fim, estudando as Escrituras em conjunto com o irmão adventista, ele se convenceu de que o Cristo do Novo Testamento é o mesmo profetizado em Isaías, o qual haveria de circuncidar o prepúcio do coração de seu povo, bem como o de todo estrangeiro que se chegasse a ele, com a Lei de Deus.
Dissipou-se então da mente daquele judeu a imagem do Cristo inquisidor apresentado pela Igreja Católica nos séculos anteriores e, estudando as profecias de Daniel em conjunto com a História, bem como relacionando com elas as profecias de Apocalipse, percebeu o caráter bestial da Igreja Católica e que todas as profecias tinham se cumprido dando prova de que Cristo é mesmo o Messias tão esperado por nossos pais judeus e que Ele está prestes a vir a segunda vez em glória e majestade para estabelecer Seu Reino neste mundo e destruir toda a semente do mal. E esse conhecimento a Igreja Católica tinha sufocado, bem como as igrejas protestantes o ignoravam, sendo que desde os finais do século XVIII os adventistas a resgataram das Escrituras e andam pregando aos quatro cantos do mundo, sendo imitados, embora de forma deturpada, por igrejas como a Assembléia de Deus, que prega um arrebatamento secreto da igreja, o que não coincide c os ensinamentos de Cristo sobre o maior espetáculo do Universo.
Entre os adventistas mais primitivos está o Doutor João Wolff, um judeu alemão, filho de um rabino judeu, que correu a Europa no século XVIII pregando sobre a volta do Messias para o seu povo.

Existe por aqui a história sórdida de Jacobina Maurer, líder de um grupo conhecido por Muckers. Conta a história que ela, juntamente com seu bando de “fanáticos”, que continha até um psiquiatra, foram dizimados pela polícia em torno do anos de 1876 por causa das acusações da parte dos católicos e luteranos do Vale dos Sinos que a ela atribuíam cultos macabros aos sábados, com rituais de sacrifícios de criancinhas, além de pregar a vida no Paraíso vindouro, a ressurreição dos mortos no último dia e fazer curas com uso de ervas.
Percebi lendo um livro de história sobre o Brasil secreto, que trata da Burschenschaft, escrito por um padre antigo, que jacobino é o apelido pejorativo imputado pelos católicos preconceituosos a todo que pratica culto inspirado no culto de Jacó, ou aproximado às raízes do judaísmo. Uma revolução promovida por judeus no Brasil no século XIX foi chamada de  Jacobinada, ou revolta Jacobina.
Já tinha percebido através da leitura de O Grande Conflito, de Ellen G. Withe, bem como do estuda de História na universidade, que acusar de práticas obscuras e sacrifícios de crianças aos judeus e cristãos contrários às doutrinas papais era protocolo entre os católicos, que pareciam despojados de toda moral e ética quando pretendiam punir alguém que deles discordava. Esse caráter lhes foi comum em toda Idade Média, bem como no período feudal, até o início do século XX, quando uma senhora adventista, dona Ama Amador dos Reis, da comunidade de Campestre e Fazenda Passos, onde meu bisavô e avô viviam, foi acusada das mesmas práticas atribuídas a Jacobina trinta e oito anos antes, quando pretendia fazer um batismo nas águas, mas os vizinhos católicos, decididos a impedir, a denunciaram ao presidente da então Província do Rio Grande de São Pedro, Borges de Medeiros, que a chamou ao Palácio Piratini e inquiriu dela sobre a prática denunciada por seus vizinhos. Ela respondeu-lhe perguntado se achava possível que uma mãe de família, que estudava a Bíblia e pregava sobre Jesus Cristo estaria fazendo sacrifícios de crianças. A isto ele respondeu que já sabia do que se tratava, então mandou que um destacamento da Polícia Militar guarnecesse o batismo no Sábado. A ele os católicos compareceram com suas armas de fogo, mas não se atreveram a tentar impedir, apenas um deles se propôs a banalizar pedindo que o pastor batizasse seu cachorro e depois o batizando várias vezes ele mesmo enquanto o ministro oficiava o batismo das pessoas.

E assim vai a identidade de um povo cristão em acordo com o verdadeiro judaísmo, sendo perseguidos juntamente com os judeus, acusados das mesmas práticas através das mesmas mentiras, por seguirem ao Messias que os judeus ainda esperam, mas Ele voltará com glória e majestade para estabelecer Seu Reino, que de forma alguma será como os reinos humanos, que se estabelecem pela violência, mas por mudar o coração dos seres humanos, por plantar a Lei de Deus no coração de todo que aceitar a autoridade do Criador de todas as coisas, nosso Eterno Senhor.

Perdão por fazer uma respsota tão longa, mas muito me agrada escrever para o senhor, pois percebo que lês o q escrevo.

Muchas grácias!

Wilson Amaral


Wilson do Amaral
Enviado por Wilson do Amaral em 26/01/2007
Código do texto: T359287

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Sobre o autor
Wilson do Amaral
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 54 anos
119 textos (27084 leituras)
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Wilson do Amaral