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Oh! Que destino o meu!


   Oh! Que destino o meu!
       Lizete Abrahão

Tenho medo até de mim mesma!
Este amor que sinto é o mais puro, mais santo e
mais vermelho que a paixão,cheio de desejos divinos mas
tão culpáveis quanto os piores pecados!
    E os meus sonhos?
    Ah, como têm razão aqueles que dizem que a força da carne causa efeitos contraditórios!
    Sonhei que seus braços me apertavam, que suas mãos queimavam minha pele e que cobria de beijos a minha boca que apenas conseguia balbuciar palavras de amor em gemidos...seus olhos inundavam os meus de embriaguez e desejo...e como era suave a sua voz! Seu rosto junto ao meu era como o acordar do dia, como a lua numa noite silenciosa...seu peito largo como um lago quando calmas as suas águas...Não! Palavra alguma poderá exprimir os seus gestos, o fogo interior que nele exultava ao me olhar...E eu, presa do mesmo fogo, ardo e me entristeço!
    Por mais que eu me esforce, o que digo parece opaco...Só posso repetir tudo isso a mim mesma, ao fundo da minha alma! A imagem desses sonhos acompanha-me onde quer que eu vá.
E nunca, em outros momentos, me sinto tão pura!
    Serei culpada de sentir prazer e felicidade ao lembrar aquelas ardentes carícias?  Não me condeno por ter coragem de amar, mas me culpo porque sofro entre a ausência e a delícia de sonhar...
    Tudo está tão além da minha vontade! Acho que deliro! Já nem tenho mais forças para pensar! Meus olhos estão sempre cheios de lágrimas e não consigo me sentir bem em lugar algum, porque já nada desejo nem peço...
    Meu amor, meu amor! És um raio de sol a brilhar em minha alma, como na de uma prisioneira que sonha com a liberdade, com o correr pelos campos, com o calor da tarde no corpo... Obscura a minha solidão, neste quarto assim pequeno...Lá fora, uma árvore despoja-se de suas folhas, desnuda-se, murmurando ao soprar do vento, e eu nua, calada, por que apenas o frio sopra-me a alma.
Uma árvore é mais feliz, há o vento a despi-la...
    Estou, aqui, como quem mendiga, de porta em porta, um pedaço de pão para prolongar a vida de esperas que me resta... Já fiz toda a sorte de loucuras, mas ainda não encontrei minha lucidez! Não sei o que me faz esquecer de mim, se de tal modo restam-me apenas lembranças,
só minhas.
    Oh, que destino o meu!
    Minha vida não passa  de resignação. Concentro-me e encontro sempre o mesmo mundo de mim mesma. E é um mundo de pressentimentos e desejos insatisfeitos. Tudo é vago, imagens que flutuam irreais nos meus sentidos.
    E, assim, sonhando, às vezes sorrindo, outras, chorando, prossigo na minha viagem por este mundo!







 


Lizete Abrahão
Enviado por Lizete Abrahão em 07/09/2005
Código do texto: T48560


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Sobre a autora
Lizete Abrahão
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Lizete Abrahão