Fundo da América do Sul Parte 3

No final da festa nós a levamos para casa, e claro que rolou um baita beijo no portão.

Naquela noite nascera a conturbada vida amorosa de ambos até o nascimento de seu filho; mas éramos muito jovens ainda para prever algo de nossos futuros... Fomos para uma boate onde não podia entrar menor de idade, mas como nós conhecíamos o dono da festa e o dono era nosso amigo e gostava que nós colocássemos o som, deixou a gente entrar, já na entrada ouvia-se o som “You make me feel, I love you...”, eu ficava alucinado com o “jogo de luz” que tinha lá, varias vezes tentamos fazer algo parecido para as nossas festas, mas não conseguíamos! Bebíamos tudo que tinha direito e mais um pouco até o final quando eu colocava a última música “We will rock you”, como geralmente não tinha mais ninguém na pista de dança nós dois sempre a dançava, parecia que ali exorcizávamos através de danças desengonçadas todos os demônios e anjos que haviam se aproximado de nós naquela semana e íamos embora transbordando álcool e tabaco no cérebro, e sem esquecer, claro, de escalar e colocar uma latinha de cerveja na lança da estátua que tinha na praça vinte de setembro, no caminho para casa e sair se rindo, no outro dia quando ia para o trabalho, lá estava a latinha então eu já sóbrio jurava para mim que nunca mais colocaria outra latinha lá; pelo menos até o próximo sábado!

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Num feriado resolvemos acampar em Piratini, na noite anterior preparamos tudo nas mochilas, pois éramos “muito” organizados com o que cada um iria levar; Às quatro da manhã nos encontramos na frente da casa dele e pegamos carona no caminhão de um vizinho que passaria perto da estrada que vai para Piratini, eu fui dormindo na boléia com muito frio, era pleno agosto, e eles conversando de tudo um pouco; Quando chegamos à entrada da estrada de chão descemos do caminhão, e fomos indo a pé por que não passava nenhum carro, era muito cedo, íamos ouvindo o amanhecer da campanha o galo, os quero-queros, um cusco ao longe fazendo eco seu latido, e o barulho de nossas botas no cascalho solto; Eu estava com uma jaqueta com capus e meu cabelo e rosto estavam totalmente molhados do sereno foi quando Marko pediu um gole de canha pra espantar o frio, ai descobrimos que não éramos tão organizados em fazer mochilas, pois os dois haviam esquecidos de trazê-la! E nem cozinhar ovos, pois estavam todos quebrados na mochila melecando todas as roupas quentes. Só nos restou dar muita risada, e continuar a caminhada... Chutando alguns cascalhos nas poças que estavam com uma camada fina de gelo, até hoje ouço aquele som da pedrinha no gelo. Os primeiros raios de sol começaram a acordar o pampa, aquele campo branco de geada aos poucos ia goteando, foi quando passou o caminhão do leite nos dando carona até a cidade.

JorgeBraga
Enviado por JorgeBraga em 13/03/2011
Reeditado em 04/06/2011
Código do texto: T2845828