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Quando o macaco criou a escola

Contam que naquele tempo morreu o leão, rei das selvas. Os bichos todos então tiveram que escolher um novo monarca, para todos governar como era o hábito. Entretanto como não houve quem aceitasse o outro como rei, acabaram por entregar o poder ao macaco. O macaco havia a todos convencido balançando de galho em galho. Houve festa para coroação, e um discurso onde disse assim o novo rei, o macaco:

- Meus irmãos bichos! Feliz me torno rei de cetro, coroa e trono. Garanto a todos que não comerei bananas somente, mas também mudarei a nossa floresta para melhor. Tenho planos maravilhosos para revolucionar a vida da bicharada. E como primeiro decreto real declaro desde já criada a escola!

Os bichos se olharam sem entender do que dizia o macaco. Começaram então a falar entre si, tentando adivinhar o que viria a ser essa tal de escola que ameaçava decretar monarquicamente o rei macaco. Este vendo a curiosidade dos seus súditos bichos começou a rir, e dizer aos berros:

- Vocês gostaram? Vocês gostaram? Vamos fazer uma escola!

Dentre os animais da audiência um mais agitado se voltou ao rei e perguntou:

- Mas macaco, nos responda logo o que vem a ser isso de escola. Está logo de cara aprontando uma de suas macaquices?

- Auto lá, bicho esquisito! Primeiramente, e em primeiro lugar, sou rei macaco! De cetro, coroa e trono! Majestade macaco! Segundamente, e em segundo lugar, macaquices sempre faço, macaco sempre sendo. Não poderia ser de outra forma. E agora que decretei, decretado está, e que se cumpra!

Os animais olhando o seu rei sacudir o cetro não tiveram alternativa. Enquanto ria o macaco iam os bichos se perguntando o que seria a escola. E com espanto receberam a notícia de um animal lá de que escola era onde os filhotes aprendiam:

- Aprendem o que? - perguntou um animal de grandes orelhas.

- Coisas de bicho. - respondeu o animal sabido.

- E quem ensina aos filhotes? - perguntou um bicho dependurado.

- Os professores. Como sempre fora. Quem ensina coisas de onça às onçinhas é a professora onça. E quem ensina às aves coisas de aves são os professores de asas. Agora o macaco criou a escola, e as coisas vão ser diferentes. Os filhotes vão todos os dias pra lá. Haverá quem conte todos para que não falte nenhum.

- Já me começa aprontando o macaco como rei. - dizia um bicho sussurrando.

Assim foi criada a escola na floresta.

O rei passou alguns dias ansioso por saber como sua fabulosa e revolucionária idéia ia se encaminhar. Tinha ordenado ao bem-te-vi que viesse trazer notícias da escola com a presteza de um bom pássaro de peito amarelo. Era engraçado ver o macaco naquele trono tão grande, cercado de bananas, não parar quieto de expectativa. Quando viu voando o bem-te-vi deu um salto de símio para perto do seu mensageiro:

- Conta logo bem-te-vi, o que tu bem viste na escola.

- Bem vi que a coisa anda esquisita. Não sei nem por onde começo a contar a vossa majestade macaco as absurdas desdobraduras em que sua idéia se desdobrou. Conta que o povo lá anda feroz. Mas conta também que o povo lá anda contente. E acho que ninguém se entende bem...

- Mas que passarinho cheio de opinião! Te mando lá e cá só para fazer o relato do que acontece na escola que criei monarquicamente com meu primeiro e único decreto. Me conta logo o que viste, seja lá bom ou ruim, que quero começar logo a rir dessa bicharada.

O bem-te-vi vendo o cetro do rei sacudir, e a coroa quase cair, pousou no espaldar do trono do rei macaco e começou a fazer seu relatório:

- Os bichos mandaram todos os seus filhotes para a escola. Foram todos lá reunidos e distribuídos em turmas como ordenado pelo vosso decreto.

- Muito bem! Muito bem! - deu vivas o macaco sentando em seu trono.

- Logo no primeiro início ouve confusão com a questão do uniforme. Como foi decretado o uniforme era verde musgo. A sapa e a sapo aplaudiram, pois os sapinhos ficaram bem vestidos e lindamente esverdeados. Porém a zebra disse que a zebrinha já estava desde sempre uniformizada. Também houve reclamação das araras, que tinham que uniformizar as ararinhas como todos para entrar na escola.

- As araras não queriam usar uniforme? Ah, mas quanta prepotência. Só porque são multicoloridas? Que usem o ditado pelo rei e percam a soberba. Quero ver as araras bem verdinhas, quase papagaios.

- Estes também reclamaram, pois o verde deles é mais verde que o verde do uniforme escolar. Mas a cobra disse que ficava bem naquele tom, e todas as cobrinhas foram uniformizadas com presteza. Os veados não quiseram que os veadinhos usassem o dito uniforme e ameaçaram a todos com chifradas. O urso estava furioso e disse que ia arrumar briga.

- Mas que urso furioso!

- Ele não encontrou nenhum uniforme no tamanho do ursinho, pois todos os uniformes eram pequenos demais. O elefante também fez queixa semelhante, e o elefantinho ficou sem uniforme. Os tigres, as onças, os leopardos e as panteras disseram que não usam uniformes, pois suas pelagens são mais bonitas. O sabiá assoviou que ia convocar todos os passarinhos para uma assembléia passaral afim de abolir o que chamaram de “grande macaquice”. Reclamam que suas penagens são coloridas e vistosas, e não caberia usar o uniforme tão sem graça.

- Absurdo! Absurdo! O que pensam esses bichos? Sou o rei aqui e digo que eles usarão sim o uniforme. Façam como o sapo e as cobras que aprovaram logo os trajes de escola.

- Outros bichos aprovaram a idéia. Os gambás, que disseram que seus filhotes são os mais asseados; Os búfalos disseram que é uma grande idéia esverdear seus filhotes. Os jacarés disseram que verde musgo é uma bela cor para seus jacarezinhos. O pavão customizou o uniforme e desfila seus filhotes com roupas escolares super transadas. Os filhotes de camaleão sempre enganam quando se pergunta sobre o uniforme, pois mudam logo sua cor pra esperada de um bom aluno uniformizado. Mas uma opinião foi unânime: Todos, todos, todos os filhotes odiaram a idéia do uniforme.

- Então que ouçam os jacarés! Eles aprovaram a coisa, e podem dar grandes bocadas nos que desaprovaram. Que os jacarés recebam uma medalha!

- E os tigres, as onças, os leopardos e as panteras, que se recusaram a colocar uniformes nos seus carnívoros filhotes? Quem vai obrigá-los, majestade?

- Bem... é uma situação nova... - engasgou o rei macaco.

- No final do dia, depois de muita confusão, o uniforme virou um acessório optativo, pois nem todo mundo se deu bem com verde musgo tamanhos P e PW. E para evitar mordidas, chifradas e outros ataques não se tocou mais no assunto.

- Mas vejo que não me compreendem esses animais. Queria ver todos bem vestidinhos, e arrumadinhos. Que animais mais animalescos! Mas deixemos por conta dos pêlos, peles, penas e escamas essa questão. Ainda arrumo um jacaré bem grande pra mim por na linha esse povo. Me fale mais bem-te-vi. O que tu bem viste na escola?

O bem-te-vi deu um vôo rasante indo parar sobre um cacho de bananas que o rei macaco começava a degustar. Disse assim:

- Bem que eu vi, no segundo dia, algumas estranhas coisas, bem inéditas na floresta. Começo pelo caso das turmas. Ouve mais confusão quando fomos distribuir filhotes e professores.

- Mais confusão? Engraçadas, presumo.

- Nem sei julgar, majestade. Veja por exemplo o caso das pequenas cuícas. Foram hostilizadas pelos preás, que riam sem parar de seus rabos pelados. O professor na ocasião, o chifrudo búfalo, ruminou bastante, e teve a infeliz idéia de querer cortar os rabos das cuícas. Estas alegaram que os preás é que tinham que por rabos, já que eram filhotes cotós. Houve muita gritaria de parte a parte, e no debate acalorado as cutias apoiaram os bichos sem rabo, e os cachorros disseram que morderiam quem ameaçasse seus rabos.

- Mas esses bichos sem rabo acham que são o que? Só falta quererem cortar a cauda real! - disse o rei macaco acariciando seu rabo de monarca.

- O fato é que os preás se recusam a estudar numa turma de animais rabudos. E agora os rabudos exigem que haja turmas adequadas para os de cauda longa. Dizem que são mais bem dotados. O professor búfalo está ruminando sobre a questão. Mas sabe como são lentos os búfalos: nunca param de ruminar seus pensamentos.

- Que comédia esses animais! Me arrumam atrito por conta de rabos e caudas. Que mais bem-te-vi, bem viste na escola?

- Um sucesso maravilhoso! Te conto agora meu rei macaco!

- Ah, que bom saber! - o macaco imponente assumiu ar de grandiosidade.

- O professor morcego ensinou todos os seus alunos com maestria e perfeição. Dizem ser um docente nato! Um gênio do ensino! Guru, alguns afirmam.

- Mas que feliz notícia. Saber que temos um professor tão excelente na escola. - o rei macaco ficou animado - Conta lá bem-te-vi os sucessos de tão afamado mestre morcego.

- Ensinou todos os seus alunos a dormir de ponta-cabeça. Não só os filhotes que se empoleiram, como as galinhas e as águias, como os que nem em árvores sobem, como as vaquinhas e os novilhos. Uma beleza! Até o elefante júnior ele conseguiu ensinar a ficar de cabeça pra baixo. Os elefantes estão orgulhosos de sua cria, que conseguiu a nota mais alta. Levou muitos ao chão em suas quedas paquidérmicas. Mas já domina a técnica e dorme dependurado pelas patas como poucos. As lagartixas idem. As cobras filhote também.

- Ora, veja que glória me saiu a escola! Não é incrível essa minha idéia? - o rei macaco estava cheio de si - E os críticos a me criticar com suas críticas! Ora, macacas me mordam!

- Mas não só temos sucessos a relatar, majestade.

- Lá vem esse bem-te-vi me falar o que não quero ouvir.

- Conto que houve problemas em uma terceira turma. A professora onça, se vendo numa turma de filhotes de paca, perdeu a cabeça e devorou todos os alunos.

- Ai, que horror horrível! - o rei macaco deu um pulo pra trás do trono. A coroa quase caiu da cabeça.

- As pequenas pacas pacateavam pacatamente, quando a professora onça, onceiramente, a todos comeu. Não sobrou nem uma paquinha pra contar a história.

- Absurdo! Absurdo! Absurdo! Tragam cá essa malvada professora que vou castigá-la! Que é isso?! Sou rei, de cetro, coroa e trono. Exijo punição para essa devoradora de alunos! Tragam-na a presença do rei!

- Sinto muito, mas é impossível.

- Que é isso?! Vão me desobedecer? Sou rei, de cetro, coroa e trono. Mando que tragam a devoradora de alunos pacas, e que se cumpra!

- Acontece que a professora ficou sem alunos, e foi transferida para outra turma. E lá foi devorada por sessenta e oito jacarezinhos.

- Ai, que horror horrível! - o rei macaco deu um pulo mais alto ainda pra trás do trono - Como assim sessenta e oito jacarezinhos?

- Pois como esses mordedores alunos teimavam sempre em mastigar seus colegas pacas, foram agrupados numa turma especial, só de filhotes mordedores. A onça lá chegando foi devorada no primeiro rugido. Contam que primeiro comeram o rabo, e depois o resto. Nem os ossos da professora sobraram.

- E que se dêem medalhas a esses ávidos justiceiros! Cumpriram a punição decretada pelo rei antes mesmo de eu tomar conhecimento da culpa. Magnífico!

- Agora estamos decidindo quem vamos alocar para essa turma.

- Conte-me mais, bem-te-vi, que já já te digo quem vai ser o professor dessa turma. - o rei macaco se aconchegou sorridente no seu trono.

O bem-te-vi em pulinhos ágeis foi subindo pela trono até ficar bem perto do monarca que ouvia atento.

- Bem que eu vi, dias depois, na turma da professora avestruz, andam muito alto os níveis de reprovação. As gatas foram maciçamente reprovadas. Assim como as patinhas. As gatas não aprenderam a colocar ovos, como bem quis sua mestra. As patas olharam com cara de espanto os ovos da professora avestruz. Recusaram fazer a prova. A avestruz então trouxe mais e mais de seus ovos para a aula, exibindo todos com orgulho. As patas até que ficaram admiradas, mas não quiseram nem saber de colocar ovos daquele tamanho. As gatas orgulhosamente deram as costas e foram embora. Nenhum aluno foi aprovado.

- Que coisa esquisita. Essa professora avestruz anda com a cabeça onde?

- O caso é que seu método é famoso por sua eficiência e resultados rápidos.

- Que me afastem a idéia de colocar um ovo! - o rei macaco ajeitou a coroa.

- Ainda muitas coisas aconteceram nesses primeiros dias. Alguns sucessos. Vamos relatar, por exemplo, o professor gavião. Este é muito querido por seus alunos. Em pouco tempo fez com que todos dominassem com maestria a arte de caçar pintos. E pasme, meu rei, até os pintos aprenderam a caçar pintos!

- Maravilha! - o macaco rei se entusiasmou - É disso que eu falava. Pintos que aprendem com os gaviões a comer pintos.

- E não só pintos. Tartaruguinhas, alunas do professor gavião, são agora ávidas comedoras de pintinhos. Em incríveis vôos rasantes abocanham os lanches amarelinhos. Só as cobras que encontram certa dificuldade para a tarefa. Mas o professor gavião tem toda disposição do mundo para ensinar suas gavionices.

- Esplêndido! Tartarugas que comem pintos! A escola é uma coisa incrível, não acha? Só mesmo um rei macaco como eu poderia ser tão prodigioso neste pensar! - a coroa cintilava, e o rei macaco sorria quase comovido.

- Infelizes sucessos conto agora, majestade.

- Ai, outra vez! Não queres contar logo todos os males para que possa logo deles esquecer, e então me conta as maravilhas da minha invenção?

- Conto então, para assentar na categoria dos males, o caso da turma do mestre condor. Tão afamado pelo seu voar magnífico, reprovou muitos alunos logo nas primeiras aulas.

- Reprovações, reprovações! Precisamos acabar com esse péssimo hábito dos professores bichos que me reprovam tantos filhotes. Que situação tenebrosa. Não seria o caso de reavaliar os bichinhos de novo? Fale com o mestre condor que ordeno que reavalie seus alunos reprovados, para que não fiquem mais assim. Ordena o rei macaco, de cetro, coroa e trono!

- Porém sinto que não seja mais possível. Pois quis o professor condor por seus alunos a voar bem alto, e nem todos são como os pardais, falcões, pombos e águias. Os cachorros, por exemplo, não voaram bem, por mais que brigasse seu professor. Caíram do alto altíssimo e se esborracharam no chão num som surdo.

- Som surdo? - coçou a coroa o rei macaco.

- Sim, majestade, um som surdo.

O rei macaco fez cara de não ter entendido. O bem-te-vi explicou:

- Pof!

- Pof?

- Sim, majestade. Pof!

- Então não podem mais ser reavaliados?

- Sinto que não podem mais. Nem os cachorrinhos, nem os coelhinhos. Pois por mais que o mestre condor os estimulasse a voar, dando exemplos, mostrando os movimentos, os alunos não aprendiam, e foram reprovados logo no primeiro e único teste.

- Que coisa... - o rei macaco ficou pensativo, segurando o cetro com as duas mãos, talvez imaginando a cena...

- Mas os pardais tiveram bom desempenho.

- Mas ainda não sabemos quem colocar na turma dos jacarezinhos. - dizia o rei macaco outra vez se empolgando - eu achei essa turma interessante.

- Talvez o professor tatu.

- Bem-te-vi, bem fale do que viste deste emburacado mestre.

- Foi posto a ensinar numa turma de muitos filhotes de lêmures, e agora não mais cava buracos. Resolveu viver nas árvores, balançando em cipós. Disse que assim arruma menos confusão com seus alunos, que não queriam por a mão na terra, como ele bem fazia. Quando não está em cima das árvores, é visto mergulhando num rio. Veja que versátil!

- Que maluco, isto sim! - o rei macaco se irritou - tatu mergulhador? Que modernice é essa?

- Não quis ele entrar em atrito com seus alunos lontras, e foi nadar com eles. Aprendeu a mergulhar, e até sente vergonha de ser chamado de tatu. Agora só faltam os seus alunos cabritos o levarem a dar pulos.

- E na turma dos jacarezinhos o que faria o professor tatu? Viraria jacaré? - o rei macaco traçou uma hipótese com um sacudir da cauda.

- Provavelmente ia cair feliz e contente na boca dos sessenta e oito pequenos mastigadores. Não ia querer contrariar seus alunos.

- Mas que bicho estranho me saiu esse docente.

- Dos esquisitos o menos esquisito. Temos ainda o mestre urso. Caiu em hibernação, e ainda não acordou. Seus alunos aguardam que ele acorde logo. Mas com o ritmo que a coisa vai, provavelmente só na próxima primavera ele acorda. O professor cobra anda se enrolando consigo mesmo. Queixam-se os filhotes que ele dá um nó tremendo com suas lições. Trata-se de um professor de teoria circulares, onde sempre perde o pé...

- Não me admira o professor cobra se enrolar... - o rei macaco se enfadava com esses professores esquisitos. Comia bananas para se distrair.

- O professor ganso deu bicadas em seus alunos por subirem em sua mesa. A professora girafa ficou rouca ao dar aulas para uma turma de arapongas, papagaios e sagüis. O mestre sapo só quer saber de ficar na lagoa. Dizem que não lava o pé...

- Basta! - levantou do trono o rei macaco - Quantos animais improváveis. Bem-te-vi, o que me contas é muito perturbador. Faz você que pareçam doidos todos os professores! Que conspiração é essa? Querem derrubar a minha fabulosa idéia da escola? Sou rei de cetro, coroa e trono! Rei macaco!

- Majestade, só relato o que bem vi, bem-te-vi sendo eu. E se achas improváveis os docente bichos, nem imagina o quanto o são os filhotes dicentes. Casos como os dos coalas, que não aceitam o rótulo de ursos, e ameaçam todos do alto dos eucaliptos. Gritam irados: "marsupiais! marsupiais!" Mas quem sabe lá o que é isso?! Cá de baixo gritam os colegas, e alguns professores: "ursos! ursos!"

O bem-te-vi deu um vôo curto pra um galhinho próximo pra poder abrir melhor as asinhas e contar com riqueza de gestos o que bem vira:

- Veja o caso dos alunos caranguejos: atrapalham sempre a fila da cantina. E o caso do aluno jaguar: come a fila da cantina. Os filhotes de anu-preto não querem ficar junto com os filhotes de anu-branco, que não querem ficar perto dos sabiás. Estes cantam todas as passarinhas, e sempre são pegos passarando na escola. Os pequenos coiotes acusam as raposas de roubarem suas lancheiras. Estas acusam os coiotes de roubarem suas mochilas. As hienas riem na cara dos professores, que raivosos mordem ou chifram as hienas, que riem mais ainda. Os micos colocam pó de mico nas cadeiras. E os que menos recebem reclamações são os filhotes de bicho-preguiça. Porém de tão lerdos estão ameaçados de extinção na escola. São sempre os mais mordidos, por professores e alunos. E ficam sempre lá, naquela lerdeza.

- Mas que bagunça esses filhotes me arrumam! - o rei macaco disse - E me colocam esses bichos todos juntos? Quem foi o maluco que teve essa idéia de asno?

- Bem, foi o senhor, majestade.

- Ah, é! Quase me pego numa de minhas próprias macaquices. Então se é assim, a idéia é muito boa. Coisa de gênio! E que continue assim, pois sou o rei macaco de cetro, coroa e trono.

- Mas rei macaco, o que pensa conseguir com tamanha sandice? - o bem-te-vi estava vivamente curioso. Abandonou os relatos em prol dos questionamentos.

- Agora que morreu o leão, as leis da selva devem mudar. E enquanto não arrumarem bicho melhor, que seja eu o macaco rei. Comer bananas já dou conta, e cumprida está a primeira tarefa real. Macaquear a floresta, segunda função do monarca, está sendo bem cumprida. Ou o amigo bem-te-vi não acha que a escola é bastante divertida, e boas risadas rendeu? Quantas ainda não renderá?

E riu alto o macaco de cetro, coroa e trono.
Guilherme Drumond
Enviado por Guilherme Drumond em 26/01/2007
Reeditado em 26/01/2007
Código do texto: T359924
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Sobre o autor
Guilherme Drumond
Rio Bonito - Rio de Janeiro - Brasil, 40 anos
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Guilherme Drumond