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Sá Gertrudes (A Saga..30.)

     Fabiana estava  a dois meses de dar à luz o 2º filho, quando a mãe Maria Fel, resolveu vir a B. horizonte para assistirà filha na hora e depois do parto.
     Constâncio foi buscar a sogra na rodoviária e ela já estava devidamente instalada e pelas manhãs, dava umas voltas pela Vila Ipiranga, para conhecer e conferir, os novos vizinhos, o ambiente onde a filha estava vivendo.
Dª Maria Fel acabou fazendo amizade com uma vizinha chamada “Sá Gertrudes” com quem descobriu muitas afinidades.Sá Gertrudes era uma velha alta,espigadinha e cheia de energia ainda, apesar de já ter completado 100 anos de idade, segundo ela mesma tinha dito. Era “Parteira” desde jovem e já tinha atendido quase todas as mães da região e arredores.
Tinha fama de nunca ter perdido um parto.Levada pelas mãos da nova amiga Maria Fel, a parteira foi visitar Fabiana com quem conversou muito e acabaram acertando pra anciã dar toda a assistência possível ao parto da jovem mãe.
Sá Gertrudes ia diariamente visitar Fabiana,sempre arrumadinha, erecta, de  cabelo esbranquiçado, que já devia ter sido louro, muito bem penteado e preso feito “rabo-de-cavalo, que emoldurava muito bem seu rosto magro e altivo, lhe conferindo uma aparência de governanta alemã de filmes.
       Constâncio também simpatizara com Sá Gertrudes que o mantinha diariamente informado sobre o estado da mulher, assegurando-lhe que seria um parto tranqüilo, sem a menor dificuldade, pois Fabiana sempre foi uma moça muito saudável e tinha ancas de “boa parideira”!
     Fabiana gostava muito de ler revistas que o marido às vezes lhe trazia,pra passar o tempo.Numa dessas viu uma foto de uma mulher que tinha tido trigêmeos e ficou encantada com o  nome de um dos bebês:Aécio Flávio. Combinou com o marido que se fosse novamente um menino,o filho teria este nome, que ela tinha gostado tanto e achava bonito “demais da conta”.
“E se for menina”? perguntou o marido.
      “Bom, se for menina eu escolho o nome depois, mas estou com pressentimento que vai ser outro menino .Sá Gertrudes também acha isto! A parteira, que estava perto, assentiu com um gesto de cabeça.Constâncio preferiu escrever num pedaço de papel porque achou o nome difícil de guardar.
     Numa tarde de sexta-feira, por volta das duas horas da tarde, começou o ritual de chaleiras de água fervida, indo e vindo, de panos e lençóis super brancos lavados passados e esterilizados por Dª Maria Fel e em poucos minutos um novo choro sonoro e forte ecoou pelo barracão. Constâncio estava na Fábrica, porem tinha sido avisado que o parto seria naquela sexta-feira e veio rapidamente pra casa depois do “apito das cinco horas,” voando na sua bicicleta a “pantera negra” que Fulô não se esquecera de ajeitar cuidadosamente na mudança que Fagundes fizera de caminhão,quatro meses antes. Betinho que se assustou um pouco com a novidade do novo choro,estava com um ano e quatro meses e logo se aquietou no colo da Avó.
     Sá Gertrudes cuidava dos detalhes finais do parto com a pose elegante de Parteira de mão bôa e cuidou ela mesma de cortar o umbigo do menino, que ia plantar em baixo de uma árvore bem frondosa, pra ele crescer forte e saudável,disse ela.
     Quando Constâncio encostou a bicicleta e entrou “esbaforido, Sá Gertrudes acabava de entreqar o bebê todo limpinho e enroladinho em “cueiro e manta” para o colo da mãe pois ia mamar pela primeira vez..
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 06/10/2007
Reeditado em 06/10/2007
Código do texto: T683738
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
139 textos (21132 leituras)
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Aecio Flávio