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35 -Tristão (A Saga...)


Aécio o segundo filhodo casal, tinha uma característica:Os olhos grandes que causavam o mesmo comentário das visitas que apareciam na casa de Fabianae Constancio:”Mas que olhos bonitos tem esse seu menino”!
     As sobrancelhas, ao estilo da mãe, eram um pouco caídas  o que lhe dava um falso ar de tristeza. Zora, a negra centenáriavizinha e melhor amiga de Dª Maria Fel(mari Felix,Vó Fela) tinha um carinho especial por ele e o apelidou de “Tristão”, porque o achava triste.
     Depois que Fabiana se mudou para Belo Horizonte, Além de Fulô e Nazon, seus irmãos, e sua mãe, Zora era a única pessoa do Cedro que uma ou duas vezes por ano, se dava ao trabalho de pegar um ônibus e ir até B. Horizonte só pra visitar a “Nega” e os meninos. E em todas as suas visitas, trazia com o maior carinho, um ôvo de galinha embrulhadinho em papeis de jornal, incrivelmente inteiro, que Zora tinha o cuidado de proteger durante toda a viagem, pra não se quebrar. Entregava humildemente pra Fabiana e dizia:”Isto aqui é um presentinho pro “tristão”;
     Era comovente o carinho de Zora com Fabiana e as crianças.

Era dezembro de 1950 e Numa tarde de muito calor na Renascença, Fabiana convocou o “tristão” pra ajuda-la a dar banho, na garotada mais nova.
     As casas dos operários ,ao invéz de tacos de madeira, tinham co assoalho, uma espécie de lajotão como se fossem tijolos enormes.
     As donas de casa do bairro, costumavam lavar aquele tipo de piso com água e sabão e uma colher de soda cáustica, que segundo elas deixava o piso como se fosse novo.
     "Fabiana adotou o mesmo costume,porém antes avisou aos meninos: “Olhem bem...Aquí nesta garrafa tem um líquido chamado soda cáustica que serve pra lavar o piso, mas é também um veneno muito forte. Vocês nunca cheguem nem perto porque é muito perigoso.Pra ficar fora do alcance das crianças, a tal garrafa era guardada no alto, na janela do banheiro, que tinha umas madeiras pregadas pelo lado de fora, formando um tipo de prateleira.
No tal banho dos menores que "tristão" ajudava a mãe, enquanto um ensaboava, o outro enxaguava ... A mãe enxugava e mandava pro quarto. Virava uma diversão aquela confusão toda e as crianças s gostavam...Aécio,que faria dez anos dali a dois dias, tinha lembrado à mãe que aquele dia(13) era dia de Santa Luzia, a protetora dos olhos, e a mãe prometera acender uma vela pra santa, mais à noitinha. Acabada a “farra do banho”, Fabiana disse ao tristão:Agora, você que já está mais grandinho, tome seu banho sozinho , depois vá pro seu quarto, enquanto eu visto esta cambada aqui...
     Pois bem;o garoto pegou uma toalha seca e como estava muito calor, pendurou-a na parte interna da janela que deixou abertapara entrar um ventinho.  Quando acabou de tomar banho, puxou instintivamente a ponta da toalha pendurada. A toalha caiu em sua direção ,mas desastradamente, bateu a ponta numa das garrafas queficavam na janela , a garrafa espatifou-se no vaso e Fabiana ouviu o grito do filho:”Mãe, socorro, acho que caiu soda cáustica no meu olho”!A mãe veio correndo abraçou o menino na toalha e prcebeu que seu olho direito estava totalmente branco como um ovo cozido.A dor foi tanta e tudo tão rápido, que o "tristão" parou de chorar, pois já não doía mais.Ficou foi muito assustado com sua imagem no espelho.
     Fabiana enfiou rapidamente uma roupa no menino e desceu a rua até a porta da Fábrica onde mandou chamar Constâncio que veio correndo e ao ver o estado do filho, chamou Fagundes, seu amigo Chofer do caminhão e pediu que levasse mãe e filho ao Hospital de Olhos São Geraldo imediatamente. Daí até os 14 anos do garoto, foram três cirurgias , na tentativa de salvar a vista e por fim a colocação de uma prótese, que teve uma influência um pouco desastrosa durante a adolescência de Aécio, o “tristão”, coisa que ele só viria a superar depois de adulto....
"A última vez que tristão viu ZORA, foi quando voltando a B. Horizonte (já morando no Rio,)pra visitar a família,um de seus irmãos sugeriu:Vamos passar o dia amanhã no Cedro?
     Claro que topou na hora. Seus irmãos Betinho e Silvinho eram os mais animados, pois afinal os dois tinham nascido lá.No dia seguinte, saíram com o carro lotado e a viagem foi uma alegria...Na infância deles levava-se entre 4 e 6 horas de B. Horizonte até lá.passando por Sete Lagoas. Hoje em dia não dura mais que hora e meia o mesmo trajeto, com estradas recuperadas e muito boas.
     Passaram o dia entre as casas dos primos Hélio e Quinha, dois dos filhos de “Padim Fulo”irmão da mãe.Depois do almoço,visitaram alguns pontos de que tínham saudade, encontraram velhos amigos pelas ruas do Cedro e tomaram a viagem de volta;Ao fazer o velho caminho da “jardineira” pra sair da cidade, passando pela antiga casinha que foi de “Vó Fela”, quem está caminhando em frente à casa do lado? Zoraide, a "Zora", amiga centenária de Vó Felá.Todos se admiraram: “Gente, a Zora ainda está viva, vamos falar com ela". Chamaram ao mesmo tempo:”Zora..., vem cá, Zora.
zora se aproximou  lépida do carro, não dando nem tempo de ninguem descer. Debruçou-se na janela do carro e Marinês disse: Oi, Zora, tudo bem? Somos os filhos da Nêga, netos de Maria Fel.Olha quem está aqui pra te ver, Zora: O Tristão.
     ”Tristão”.balbuciou ela, com um riso disfarçado.,como se pensasse: "Esse homem da barba grisalha, é o meu tristão? Tristão era o meu menino, dos olhos tristes...Era um garoto".
     Sem mais nem menos Zora se afastou do carro e entrou no seu casebre.Silvinho ligou o carro pra continuar quando Marines disse: Gen Espera um pouco,Silvinho que Zora ta fazendo uns gestos e ta voltando...Silvinho então desligou o motor do carro;
     Zora se aproximou de novo da janelae olhou pro tristão, oferecendo as mãos em concha.Ele então pensou: "Foi buscar o ôvo pra me dar de presente, tadinha".Abríu as mãos pra receber e era uma flor lilás, a mais linda que já tinha visto um dia. Foi um “OHH” geral dos meus irmãos...Aécio disse emocionado:""  Obrigado querida Zora;Eu também te amo!Sentíu a vista  lacrimejar e não conseguiu dizer nenhuma palavra,emocionado que estava!
     Zora se afastou e seguiram a viagem.
      Este fato, este ato de amor, não vou esquecer nunca, vou contar pra todos os meus netos,como ainda existem pessoas puras que têem amor de verdade no coração.
     Zora, era uma delas,com certeza!
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 12/11/2007
Reeditado em 30/05/2010
Código do texto: T734855

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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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Aecio Flávio