Sensorial

Monique observava, calmamente, a chuva mansa molhando todo o jardim. Cada gota tocava sua alma, tal qual uma serena sinfonia. Memórias da infância eram recuperadas, através da deliciosa experiência auditiva. Existiam milhões de folhas no imenso jardim, porém nenhuma se repetia. A ideia de imensidão do universo e o sentimento que isso gerava, levava a menina a ser ainda mais grata pelo momento.

Enquanto sua mente se deliciava com tais pensamentos, pegou uma xícara de chá; os dedos foram aquecidos pela temperatura da bebida, assim como seu coração, pela imagem de duas borboletas brincando no ar.

Acompanhou-as, gentilmente, observando de camarote, enquanto o sabor leve e doce, acrescia ao aroma da vida. Fechou os olhos, buscando intensificar o prazer de seu paladar, mas foi surpreendida pelo pouso de um bem-te-vi. O pássaro cantou, alertando para que nenhum detalhe fosse perdido; mostrando que a vida também a observava.

Por fim, Monique se levantou e caminhando pelo extenso corredor, em meio às plantas, sentiu a terra fofa massagear seus delicados pés. O ar puro, entrava fresquinho, recém nascido, em seus pulmões, e saia quentinho, aquecido pelo seu coração.

A vida, graciosa e única, se tornava a cada segundo, encantadora e magistral. Era palpável com o tato e com o amor; interpretada pelo coração da menina, sua pureza e graça, experimentando sua existência sensorial.

Bruno Tavares
Enviado por Bruno Tavares em 11/01/2022
Reeditado em 11/01/2022
Código do texto: T7427282
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