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O HOMEM QUE GOSTAVA DE ESPIAR
 
 
João era seu nome, um nome comum para um homem de hábitos incomuns. Apesar de muitos não admitirem, a maioria das pessoas tem o seu lado voyeur, mas João extrapolava todos os limites, só atingia o prazer ao presenciar secretamente atos sexuais praticados por outros.
 
João era muito rico, era milionário para ser mais exato. Seus pais faleceram num acidente de carro quando era adolescente e como único herdeiro, ao atingir a maior idade assumiu o controle das empresas da família, um conglomerado empresarial espetacular com atuação em diversos países do mundo.
 
Com o único objetivo de ser seu brinquedinho particular, criou a maior rede de motéis de alto luxo do Brasil, assim nasceu o “Fetiche”, presente nas principais capitais do País e freqüentado pela nata da sociedade.
 
Todas as filiais do Fetiche tinham a mesma arquitetura, que consistia em um prédio em formato circular, todo branco com detalhes em dourado, a iluminação era um espetáculo a parte que aliada ao paisagismo exuberante deixava o prédio magnífico e elegante. Suas suítes eram espaçosas e batizadas com nomes de países europeus ou lugares paradisíacos, a decoração fazia jus a todos, mas João tinha um orgulho especial pelas suítes “Grécia” e “Ilhas Canárias”. A semelhança com os motéis tradicionais terminava por aí, pois a área central da construção era um verdadeiro labirinto de passagens secretas, com amplos corredores que circundavam todos os quartos, aos quais João tinha amplo acesso visual devido aos falsos espelhos estrategicamente posicionados nas paredes. Além disso, todas as dependências possuíam várias câmeras ocultas e sistema de captação de sons. No centro do labirinto de corredores, João mantinha seu “escritório” particular, onde em completo anonimato monitorava e gravava tudo que bem entendesse com um avançado sistema de vigilância.       
 
O dia estava chegando ao final e João já estava excitado imaginando as delícias que a noite lhe reservaria, ele odiava tudo que o dia representava, se sentia mais um Zé Ninguém qualquer, mas a noite era diferente: ele era o Senhor da Noite, pleno e absoluto, e a caça entrava farta em seus domínios.
Era uma noite de quarta-feira e João deu início ao seu passeio habitual, gostava de apreciar as peculiaridades e as fantasias dos clientes, desde o sexo mais convencional até as formas mais estranhas de prazer.
 
Iniciou pela Suíte Espanha, onde um decrépito senador já pra lá dos 70 anos, impecavelmente vestido da cintura para cima com terno e gravata, masturbava-se com seu membro flácido enquanto observava e gritava palavras de comando junto ao bacanal protagonizado por dois casais que ele havia contratado. Com ar entediado, João não perdeu mais que dois minutos ali.
 
Deu uma rápida espiada na Suíte Escócia, achando graça da cena em que uma “profissional” tentava inutilmente encontrar uma posição viável para penetração devido a obesidade elevada do constrangido cliente.
 
Caminhou assobiando até chegar a “País de Gales”, lá a coisa estava mais agitada, um homem na faixa dos trinta anos, boa pinta, se entregava aos prazeres carnais com duas garotas esculturais. O cara não é fraco não.. – pensou João – enquanto espiava maravilhado o desempenho do homem. Ali ele ficou um bom tempo... saiu pensando em quantos “gatos” tinha visto virarem “leões” depois da invenção do Viagra...
 
Continuou seu passeio, passando por França, Grécia, Malta, Reino Unido, Itália, Portugal, Gibraltar e assim por diante, todas com “sexo tradicional”. Ao passar por Chipre pensou que bem poderia ter posto o nome de “Chifre” ao ver a mulher de um conhecido e conceituado empresário sendo enrabada por um belo negrão de quase dois metros de altura e um membro... bom, digamos que o tamanho era em harmonia com o resto do corpo.
 
Em Ilha do Homem não foi surpresa ver o casal de homossexuais em carícias apaixonadas, afinal, talvez pelo sugestivo nome acabava sendo a mais disputada por eles.
 
Voltou para o seu escritório e começou a brincar com seu vasto acervo digital, ele tinha de tudo naqueles arquivos, gente graúda em situações comprometedoras para dizer o mínimo. Até assassinatos ele tinha nas gravações, sabia que muitos inclusive não haviam sido pegos, outros pela força do dinheiro tinham literalmente comprado a liberdade por “falta de provas” e a polícia mandando por mais de uma vez gente inocente para cadeia. Ele sabia de tudo: quem traía, quem era homossexual, quem tinha gostos bizarros e assim por diante. Eu tenho um poder maior que Deus ou o Diabo - dizia João com frequência para ele mesmo. Após masturbar-se olhando pelo vídeo uma loura equipada com um vibrador enrabar um cantor famoso, João recostou-se na sua confortável poltrona e adormeceu.
 
Quando voltou a acordar já era madrugada, passou os olhos pelas telas e ficou maravilhado com o que viu nas câmeras que mostravam a “Ilhas Canárias”. Uma morena escultural com curvas perfeitas dançava sensualmente para um homem de costas sentado em uma poltrona, ele sentiu-se atraído imediatamente, de uma maneira que não conseguia explicar. Mexeu freneticamente nas câmeras para visualizar o rosto do homem, mas não havia ângulo possível. Saiu do escritório e foi em direção ao espelho falso da suíte para ver a cena ao vivo.
 
A morena começou a tirar lentamente o vestido em meio a dança, o homem permanecia impassível em sua poltrona, ela se aproximou e lhe deu um beijo no rosto. João deu um salto atrás do espelho pois sentiu em sua face o beijo que a mulher havia dado, num misto de fascínio e surpresa achou que sua mente havia lhe pregado uma peça. Até que ela olhou diretamente em seus olhos enquanto tirava o que restava de suas roupas. – Como é possível? – pensou João – ela não tem como me ver... Foi quando ela se abaixou e colocou o membro do homem na boca que João ficou perplexo, pois sentiu a boca quente da mulher em seu pênis, o levando a um espasmo de prazer indescritível e quase chegando ao orgasmo.
 
João não conseguia entender o que estava acontecendo, aquilo era impossível, mas o prazer que estava sentindo era indescritível. Foi quando sentiu uma estranha presença e uma voz sussurrou ao seu ouvido:
- Esta gostando do que vê João?
Ao tentar virar-se percebeu que não conseguia, foi quando notou que o ambiente estava absurdamente quente, seus músculos retesaram e criou coragem para perguntar:
- Quem é você?
- Acho que você sabe a resposta – sussurrou a estranha presença – mas responda a minha pergunta: esta gostando do que vê?
- Sim – disse João após sentir mais uma onda de prazer que os lábios da mulher proporcionavam.
- Posso proporcionar prazeres indescritíveis, mas você tem que se entregar de livre e espontânea vontade.
- Sim, eu aceito, na verdade acho que esperei por isso a vida toda.
- Então o pacto esta selado, agora pode olhar mais de perto o que lhe espera...
 
Ao olhar novamente pelo espelho, João viu o homem na cadeira virar o rosto em sua direção, para sua completa surpresa era sua própria face à lhe encarar, em um reflexo de defesa fechou os olhos, ao abri-los novamente estava sentado na cadeira com a mulher a sua volta, mas ela já não tinha as mesmas feições de antes, era algo bizarro, seu corpo nu ainda era belo, porém, seu rosto era demoníaco, os olhos completamente escuros e a boca tinha presas ao invés de dentes... quando ela investiu lentamente sobre, destroçou metade do seu membro com as presas... a dor foi indescritível e em desespero olhou em volta em busca de ajuda. Viu o diabo lhe olhando calmamente por trás do espelho, e em sua esperança insana suplicou:
 
- Você prometeu prazeres indescritíveis – disse ele em meio aos prantos.
 
- E é justamente o que estou lhe dando, mas você ainda não compreende minha pequena alma jovem... você terá a eternidade para aprender que no inferno a dor é o maior dos prazeres, mas não se preocupe pois tenho muito tempo para lhe dedicar, pois como você sou um ótimo observador... – disse o diabo enquanto fazia um breve gesto para a mulher se aproximar novamente...    
 
by
 
MADDOX
 
 
 
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Maddox
Enviado por Maddox em 14/06/2012
Reeditado em 03/07/2012
Código do texto: T3724555
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