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“O VIOLEIRO”.
     (Cordel).



Noutrora um boiadeiro
Quando ainda não existia,
Tantas estradas de ferro
Hoje as chamam ferrovia;
Do boi escutava o berro
Hoje as buzinas os guia.
 
São lembranças de um passado
Quando existia o vaqueiro,
Que aboiava o seu gado
Percorria o mundo inteiro;
Deixou as tralhas de lado
E virou um violeiro.
 
Quando as noites nas pousadas
Com as suas cantorias,
Deixavam as moças encantadas
Com as suas melodias;
Até altas madrugadas
Apaixonadas poesias.
 
Alguns eram analfabetos
Outros frequentaram escolas,
Não tinham grandes projetos
A não ser suas violas;
Não tinham sequer um teto,
Mas não viviam de esmolas.
 
O seu trecho era o campo
Não eram homens de rua,
Adoravam os pirilampos
Quando a noite não tinha lua;
Falavam só a verdade
Com eles não tinha falcatrua.
 
Naquelas vilas pequenas
Que as chamavam currutélas,
Galanteavam pras morenas
Que os via nas janelas;
Parece que vejo a cena
A minha mente a revela.
 
Era um tempo romântico
Em que a paixão existia,
Quando era noite de lua
Até parecia dia...
Todos felizes cantavam
Tristeza ali não cabia.
 
       = FIM =








Antonio Hugo
Enviado por Antonio Hugo em 11/04/2010
Reeditado em 11/04/2010
Código do texto: T2190087
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Antonio Hugo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 63 anos
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