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SONHO - PARTE III


                                     SONHO - PARTE III


A natureza foi pródiga no fornecimento de frutos que recolhemos para almoço. Uma ideia luminosa que  tu sugeriste, permitiu o transporte. Demos um nó em cada uma das mangas da tua blusa e enchemo-la de frutos variados. Posto isto, regressamos à "base" onde fixamos "residência".  O gramado junto ao rio era a nossa mesa e cama. Mesa para almoçar, cama para descansar. Ao largo e sobre os penedos adjacentes à margem ouviam-se as rãs a coaxar e que ao nosso menor movimento, atiravam-se à água em mergulho, que mais parecia um voo. Os peixes davam saltos fora da água , quiçá a mostrar as suas habilidades circenses.. Nas árvores próximas e sob a sombra da folhagem os pássaros executavam melodias, que dada a variedade de especímenes, mais pareciam elementos de uma orquestra.  O almoço decorreu bem e com normalidade. No final retirei da mochila os dois livros de poesia e cada um leu um pouco. Para surpresa minha, ousaste declamar-me alguns sentidos poemas, que me causaram emoção, não tendo retido algumas lágrimas que me embaciaram os olhos. Agradeci o teu lindo gesto. Face a este desafio, não quis deixar de te retribuir, declamando-te também alguns poemas, que seleccionei de David Mourão Ferreira, conhecido pelo poetas das  "mulheres". No fim, a tua emotividade expressou-se em desmesurados carinhos, que me deixou amimalhado.  Estavas visivelmente feliz e exteriorizaste-te. Não ficariam por aqui as tuas surpresas. Para meu espanto, cantaste-me algumas sentidas canções, sendo que uma delas me tocou profundamente, não pelo valor intrínseco da letra, mas por a teres cantado com sotaque Português. Tratou-se do "SEI-TE DE COR" de Paulo Gonzo. Quiseste brincar com a minha emoção e conseguiste. Uma vez mais fiquei um melaço.  Pena que eu não te tivesse retribuído à mesma dimensão por manifesta falta de jeito para cantar. Ainda assim, esforcei-me. Riste muito. Só por isso já valeu a pena. Fiquei a saber que se te quiser ver rir, cantarei para ti.
No final destas divertidas brincadeiras, dormimos um pouco. Lembro-me que ainda antes de adormecermos nos beijamos a possivelmente teremos adormecido abraçados. Foi assim que acordamos. Aliás, acordamos abraçados de braços e pernas.
Povo Lusitano
Enviado por Povo Lusitano em 29/10/2007
Código do texto: T715180

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Sobre o autor
Povo Lusitano
Portugal, 62 anos
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Povo Lusitano