DESEJO DE MULHER GRÁVIDA

Quando estava com Yauanna na barriga, pensava como seria ela quando moça. Não conseguia imaginar por mais que me esforçasse e isto me deixava assustada. Na minha tonta cabeça achava que isto não era bom sinal. Eu pensava: será que vou ter mesmo minha filha?

Sentia uma dor danada no coração, um frio na barriga e corria para debaixo do chuveiro para me acalmar. Deixava a água escorrer pelo meu corpo e sentia que ela dava pulos de alegria. Aquilo me acalmava de forma inexplicável. Quando havia tempo ia até o mar.

Não foi fácil minha gravidez por conta do medo de não conseguir chegar aos nove meses. Tudo me alarmava de forma intensa. Entretanto, estava radiante, pois supunha ter feito uma grande descoberta: desejo na gravidez não existia. Era pura frescura de algumas mulheres para chamar a atenção dos maridos...

Aquelas conversas que me contavam algumas amigas de terem tido desejo de comer fruta verde, fora de época e não sei mais o quê... Eu ouvia e intimamente mangava delas descaradamente e maldosamente.

- Que cosia feia, Ysolda!

Muito bem. Minha barriga crescia a olhos vistos e eu já não cabia em nenhuma roupa. Resolvi desenhar algumas bem bonitas e bem folgadas.

Comprei uns tecidos floridos, leves e minha tia, Maria José, me levou no ateliê de uma famosa e habilidosa modista que costurava exclusivamente para as mais chiques lojas de Recife para que ela executasse as minhas “criações”.

Lá chegando, observei que seu ateliê ficava no térreo de sua linda e enorme casa. Entrei meio constrangida e dei de cara com um ambiente simples, muito bonito e agradável. Ela, a modista, simpática e gentil, me levou até uma enorme mesa, abriu o pacote dos tecidos e os meus desenhos.

Começou a me perguntar uma série de coisas e pasmem: EU NÃO CONSEGUIA OUVIR ABSOLUTAMENTE NADA. APENAS, PERCEBIA O MOVIMENTO DE SEUS LÁBIOS.

Minha tia percebeu e se assustou. Chegou até mim e me sacudiu. Foi quando eu me ouvi perguntar à gentil modista: O CUSCUZ VAI DEMORAR MUITO A SAIR DO FOGO?

- Eu babava, literalmente!

- Que vergonha!!!