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ANOTANDO OS ERROS





Noto que alguma coisa está mudando.

Sinto algo diferente pairando no ar. Parece uma nuvem de uma nova realidade que se aproxima sem que as pessoas possam entender o que está realmente acontecendo.
Eu, na minha forma de simples observador, dentro do contexto da sociedade onde vivo, vou anotando num caderno já velho e gasto pelo excesso de uso, a maioria dos fatos. Eu pareço um escriba antigo.
É cômico, mas os humanos transitam pelas ruas que se alongam  além de um limite de confrontação de ordem meramente logística sem se aperceberem disso. Vão andando, passo a passo, sem consciência e não acrescentam nada mais à ordem natural das  coisas.
O meu cansaço já é enorme, as dores físicas que já se evidenciam parecem dizer que já é  tempo de refrear os impulsos e limitar-me no caminhar lento e contínuo, sem os arroubos da juventude. Ela já se foi há muito tempo.
As necessidades obrigam-me a andar todos os dias, já que os compromissos não podem ser adiados. Eu os assumi perante a lei maior e o não cumprimento deles, implicará em dívidas que também deverei resgatar em períodos futuros.
Os homens não se importam  com minha presença, eu quase não sou notado por onde passo e isso facilita meu trabalho. Eles parecem cegos à verdade. Invulneráveis a uma realidade que se impõe e cutuca toda humanidade. A própria natureza está sofrendo com a incúria do homem.
As dores acumuladas não podem ser atribuídas a ninguém em especial, mas, sim, a cada um. Ninguém é inocente, o tempo é chegado. Não há mais dúvidas sobre as responsabilidades de cada um sobre a face da terra.
Mas eu tenho, apesar de tudo, a obrigação de continuar a falando e anotar as impressões que tenho sobre os humanos com quem converso.  A estupidez, de tão grande, assim exige.
E assim vou seguindo de forma lenta, mas de contínuo andar sem, no entanto, me preocupar com os comentários que vão sendo acrescentados a cada nova pergunta ou dúvida do assunto que é abordado.
Mas, agora, quando está chegando o momento de prestar contas de minha tarefa, olhando em cada página do grande caderno, vi que havia esquecido de anotar meus próprios erros.
Eu me preocupei apenas em ver os outros, sem parar e me observar e, com isso, modificar os possíveis erros que cometi durante toda minha vida.
Por isso, terei novamente que aqui voltar.Não há problemas, aqui ainda é muito bom.


05-12-06-VEM.


Vanderleis Maia
Enviado por Vanderleis Maia em 19/06/2008
Reeditado em 09/04/2009
Código do texto: T1041966

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Sobre o autor
Vanderleis Maia
Imperatriz - Maranhão - Brasil
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Vanderleis Maia