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Tri-fatos

Quando chegou em casa, as notícias eram ouvidas desde lá do portão. A família reunida, o jantar sobre a mesa, as luzes da casa apagadas,vozes de todos ao mesmo tempo, constrangidos com um fato político.

Passou silenciosamente, pela sala, deixou sobre a cadeira a bolsa, as pastas, dirigiu-se ao banheiro, lavou suas mãos, retornou à sala, fez o prato, pegou o guardanapo, bolsa, pastas, deu boa noite à todos, seguiu para o quarto.

Abriu a janela, fechou as cortinas, alimentou o peixinho, desligou o celular, ligou o som. Beliscou a comida fria, verificou a correspondência, tomou banho,vestiu o pijama, apagou as luzes. Lá fora, barulho de gente conversando na calçada. Na sala, silêncio de todos diante da novela. Adormeceu.

Acabou a programação, começou a sessão coruja, o último apagou as luzes, fechou a porta, verificou as janelas. Ensaiaram abrir a porta de seu quarto, viram tudo apagado. No meio do silêncio, ainda se ouvia algum ruido, comentários sobre algum programa.

Ninguém ficou sabendo que a mãe dela duvidou de seu amor, que a tia de uma amiga, já idosa, se suicidou, que seu filho alegrou seu dia com uma belissima coreografia na escola.

Fecharam-se as cortinas do dia. Abriram-se as cortinas da alma.
veronica eugenio
Enviado por veronica eugenio em 20/06/2005
Código do texto: T26085


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Sobre a autora
veronica eugenio
Cachoeiro de Itapemirim - Espírito Santo - Brasil, 59 anos
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