NATIVOS EM FESTA
 
Nesta minha aldeia, quase uma cidade, se observarmos, ela está sobremaneira povoada por indivíduos miscigenados. Fenômeno esse que ocorreu ao longo de centenas de anos, entre brancos, índios e negros. Aliás, esse é um fenômeno sociológico muito comum, principalmente, na orla litorânea brasileira. E, por aqui, de forma muito atípica. Assim, podemos explicar porque somos mamelucos e cafuzos.
Dessa mistura genética diversificada e no natural caldeirão de emoções e genes, surgiu um povo cromossomicamente modificado. Que optou por uma influência de origem ontogênica e aceita de forma prazerosa pelo ócio. Ethos de vida sempre bendito e filosoficamente sempre defendido, como modo conformista de viver. É o famoso faz “niente”.
É lógico que eu não vou localizar geograficamente esse lugar, isto é propositalmente evitado, para não ferir suscetibilidades, ou mesmo, um desmesurado orgulho mameluco e cafuzo. Mesmo assim, a fim de dar robustez a esta crônica, eu tentarei nomear alguns costumes, comportamentos atípicos e tendências nada elogiáveis dessa gente.
É verdade que eu não sou um sociólogo ou um psicólogo, entretanto, apresentarei esta crônica apenas como um observador. Porém, este não é um trabalho de apenas enxergar ou comentar, antes de tudo, é um trabalho de alguém que vê com maior profundidade e procura identificar as causas.
Trata-se de um povo que teve e ainda tem, como principal atividade econômica, apenas o extrativismo, aliás, uma atividade naturalmente aborígine e depredadora. Por exemplo: A mata que era abundante e verdejante foi totalmente destruída ou cortada, para dar lugar a uma pobre pastagem de morro. Com essa devastação, a fauna rica e diversificada, simplesmente deixou de existir. A lagoa que serpenteia o município, este enclave de pequenas montanhas, outrora verde, também sofreu o efeito devastador do extrativismo sem controle e sem consciência.
A atividade extrativa da pesca, sempre foi e ainda é uma atividade desordenada, sem um controle por parte dos órgãos fiscalizadores. O resultado desse extrativismo desordenado, fez com que a lagoa simplesmente fosse esgotada nas mais diversas espécies de pescado.
Agora vejam, do que é capaz esse povo descendente de açorianos, como orgulhosamente se intitula. Eles são incapazes de se posicionar corretamente na política local.  O prefeito colocou à disposição do Estado, um local para a edificação de um presídio de segurança máxima. Este povo miscigenado é contra. O município é pobre, não tem sustentação própria, vive de verbas cedidas pelo governo federal e pelo estado, na verdade, é um município pedinte.
O presídio é uma forma de trazer algum progresso para o lugar, tais como: mão de obra para a construção do mesmo, exigindo, é claro, um batalhão de pedreiros, ferreiros, carpinteiros, serventes e outros. Uma vez instalado, por certo, trará consigo uma lavanderia e uma cozinha industrial, bem como outros serviços afins. Também, no mínimo, trará uma companhia da policia militar e pessoal civil para a segurança, isto tudo redundará em proveito para esse povo pobre e sem futuro.
O presídio em si, trará muitos benefícios, principalmente, para a cidade e para o povo. É verdade que o presídio apresenta algum risco, no entanto, é mínimo diante dos benefícios proporcionados.
 Entretanto, para esse povo que vive numa modorra parcimoniosa e sem espírito progressista, eles, por certo, aprovariam em sua maioria, mais uma procissão de santo com a presença do padre Manzotti. É lógico, à custa de um cachê tirado desse povo pobre. Ou, quem sabe, os evangélicos, com um cachê ainda maior, trariam um renomado Pastor, cuja oratória é sabidamente inflamada e fundamentalista, pregando aos gritos ao seu rebanho, a ira de Deus.