Como Um Passarinho. 
Por Carlos Sena



O bom da vida é que tudo passa. O ruim é que passa o que é ruim mas, sobretudo, passa o que é bom. Das partes boas, ficar "menos jovem" não é tão ruim assim. Por exemplo: se eu estivesse nos áureos tempos da juventude - aqueles tempos em que pensamos ser super homens, pensamos que somos donos do mundo, etc., estaria detonando nessas redes sociais um bando de gente que tem rabo preso na política e não menos  rabo preso tem na qualidade de servidores públicos. Eu fico vendo as postagens no face, os pontos de vista, as lições de moral (lições?) e de bons consumes que tentam dar. Os rabos presos deles? Ah, como eu sei. Mas, como disse, não me atrevo a vociferar. Não valeria a pena, porque ser menos jovem nos confere a virtude do "saber esperar". Mesmo imaginando que "a espera é difícil, mas eu espero samblando". Samblando? Não. Eu espero como quem espera o amanhã. Porque se na madrugada não houver céu estrelado, saberei que "quanto mais negra é a noite, mais longa é madrugada". E, nos primeiros raios da manhã, qual moça feia na janela "verei a banda passar" pedindo vênia a Mario Quintana: "esses que estão por aí atravancando meu caminho, eles passarão, eu passarinho"... Assim, se mais não será dito, menos será perguntado. Porque "Sou menino passarinho com vontade de voar" - Luiz Vieira.