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O que somos ?

              Lá pelo ano 2005, mais ou menos, Marcus veio à São Paulo, e eu o recebi como sempre, com a alegria e entusiasmo , pois o havia conhecido anos antes, ajudado e preparado com carinho, como sempre fiz com todos os recém chegados à Ford.
              Me desculpem se abro este espaço, mas às vezes necessitamos abrir pedaços da nossa vida, não pelo fato em si, mas pelo contexto.
              Quando o vi naquela manhã, vindo de Salvador-BA, abri um sorriso, e descontraidamente ( como é do meu jeito), disse :  Fala aí, baixinho !  Esperando um abraço, pois havia feito tanto por ele ...Mas naquele dia, ele me disse , seco ; " Por que , você é tão alto assim ? " .
              - Não, Marcus, não sou alto (tenho estatura média)...e me calei !  ...e a viagem , como foi ?  .  Pensei : "A estatura nada importa ", certo ?  Nada disse ,claro, mas senti, porque sabia o que havia atrás daquela estranha reação.
             Muitos colegas o chamavam de baixinho, " Marcola", e outros apelidos , porque somos assim no trabalho, com quem gostamos, não sou de encurtar distâncias, e isso me chamou ainda mais a atenção, e logo comigo, que o havia ajudado desde a sua admissão...me doeu, porque poderia parecer uma ofensa, mas não era  ! Automaticamente uni os fatos, ele havia se tornado o braço direito e um gerente que eu detestava.
             Notei o seu constrangimento, mas nada disse, nem precisava ! Meu olhar falou por mim, e senti que ele abaixou a cabeça quando o fixei espantado.
             Profissionalmente tivemos inúmeros contatos, e sempre o atendi com respeito, mas sem nunca mais me aproximar. Sou um bom entendedor.
             Se passaram muitos anos, e um dia destes ele pediu a minha amizade no Face, ( que eu nem curto mais), e  disse sim,  por educação, mas um mês depois  , tirei fora , para sempre.
             Se há uma coisa que não suporto, é a ingratidão !
             Quando sou amigo, sou daqueles de falar livremente, com alegria, entusiasmo, como um menino de escola. Tenho amigos até hoje, que me adoram do jeito que sou, que me chamam de irmão.
             Tenho um amigo gordinho, que chamo de Pudim, e falamos cada besteira um para o outro que é de matar de rir...do tipo ; " Pudim, vamos trocar calças velhas, você me dá duas rasgadas no joelho e eu te dou uma furada na bunda , tá legal ?".  E ele diz; " Ah ,que gostoso..." , e todos nós rimos,  mas na hora do ombro , somos " ombro" mesmo,pra valer. Temos uma amizade verdadeira, de menino de colégio, embora tenhamos mais se sessenta anos. Amizade pra sempre !
             
Aragón Guerrero
Enviado por Aragón Guerrero em 31/12/2017
Reeditado em 31/12/2017
Código do texto: T6213561
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Aragón Guerrero
São Paulo - São Paulo - Brasil, 66 anos
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Aragón Guerrero