Independência

Boa noite meus 23 fieis leitores, o Brasil ainda não tem 200 anos de independência. Dom Pedro estava de caganeira no Ipiranga quando deu o tal brado retumbante, sabiam? E estava em cima de uma mula, não naquele cavalo da pintura famosa do Pedro Américo. Mas, mesmo que tenha vindo junto com uma dor de barriga, foi uma coisa legal que o príncipe fez. Aliás, fez a reboque da princesa Leopoldina, que essa era uma mulher cabeça, com visão e com vontade de ser rainha de uma nação independente. Mas não era disso que eu vim falar hoje, e sim de uma coisa que, na verdade, nem sei o que é. Mas lá vai:

Tristeza que não é minha e que não me consome, mas que açula minhas horas. De onde tu vens, danada? De que recôndito miserável de não sei de que lugar tu chegas até mim, infame? Vadia, ordinária, vagabunda, estulta!

Se te ver te matarei ou mandarei te matar, não tenhas dúvida, megera. Por que comigo é assim: o que eu não entendo e me incomoda, eu elimino, pessoalmente ou mandante. Simples assim, sem remorsos ou drama de consciência, que isso é papo de trouxa, vida de otário, e nenhum Bacamarte desse mundo tem carteirinha de tolo.

Tristeza que não é minha, de quem tu és? Venhas a público e te identifiques, canalha! Não atentes contra minha independência, tanto de sentidos quanto de pensamentos. Pois eu sinto apenas as minhas tristezas, não a dos outros. Que se dane, cáspita. Meus pensamentos são os meus pensamentos, não as birolas de outrem.

Ah, tristeza que não é minha, independência ou morte! Morte? Que morte coisa nenhuma! Vida, vida vida vida, vida bandida, como cantou o Lobão. Independência é vida! Vai te embora, avestruz, cabeça enterrada na bosta de vaca. Tu sabes como um elefante se suicida? Pergunta pro Ari Toledo que ele te diz!

Eu não sou um avestruz e tampouco um elefante, tristeza que não é minha. Sou um pássaro, uma ave, alada, pelo céu azul comendo nuvens brancas de algodão doce e matando minha sede em seu vapor d'água. Jogarei-te pedras, tristeza que não é a minha tristeza, uma chuva de pedras, e nenhuma delas será doce, ah, isso te garanto, filha da p...

Até porque a minha tristeza, tristeza que não é a minha, é uma tristeza feliz, dessas que se tira do poço com balde pendurado numa corda a fim de matar a sede e banhar-se, lavar a louça, fazer comida, limpar o chão, fazer suco de maracujá e de limão. Minha tristeza é refrescante e afrodisíaca, dá tesão e some depois de uma transa.

Ah, tristeza que não é minha e que não me consome, mas que açula minhas horas. De onde tu vens, danada? De que recôndito miserável de não sei de que lugar tu chegas até mim, infame?

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Era isso pessoal. Toda sexta, às 17h19min, estarei aqui no RL com uma nova crônica. Abraço a todos.

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(Não sei porque eu ainda coloco o link desse blog, eu perdi a senha e não atualizo ele há séculos. Até eu descobrir o motivo pelo qual continuo divulgando esse link, vou mantê-lo. Na dúvida, não ultrapasse, né. Acho que continuarei seguindo o conselho que a Giustina deu num comentário em 23 de outubro de 2013: "23/10/2013 00:18 - Giustina

Oi, Antônio! Como hoje não é mais aquele hoje, acredito que não estejas mais chateado... rsrrs! Quanto ao teu blog, sugiro que continues a divulgá-lo, afinal, numa dessas tu lembras tua senha... Grande abraço".).

Antônio Bacamarte
Enviado por Antônio Bacamarte em 07/09/2019
Reeditado em 12/09/2019
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