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        Livrarias
        que morreram


     1. Através de terceiros, soube da remoção do que restou das Livrarias Saraiva que funcionavam nos dois maiores Shoppings de Salvador. As duas fecharam ao mesmo tempo.
     Fui, durante muitos anos, um dos fiéis fregueses dessas duas famosas livrarias. Nelas comprei a maioria dos livros que guardo nas minhas estantes; mais de quatrocentos. 
     2. Não estarei exagerando se lhe disser, amado leitor, que me sinto chateadíssimo de não mais poder contar com as duas Saraivas, oferecendo-me, logo na entrada, "os últimos lançamentos". Eram bons romances, bons livros de contos e as crônicas de novos e antigos cronistas.
     3. Felizmente, no Shopping Salvador, permanece funcionando, a todo vapor, a simpática Livraria Cultura, para gáudio dos amantes da boa leitura.
     Pode não ter a tradição da Saraiva, mas se igualam em qualidade. Passei a frequentá-la com mais assiduidade. 
     4. Continuo afirmando, ser muito difícil ver um Shopping sem uma boa livraria; como está acontecendo com o Iguatemi dos soteropolitanos.       
     Sentem mais, com certeza, aqueles que - e entre eles me encontro - não vão aos Shoppings somente bater pernas; ou admirar as gravatas mais vistosas e mais chiques existentes nas lojas masculinas.
     Digo isso porque, nos mais de quarenta anos que usei gravatas, sempre comprava a mais bonita, mesmo que ela me sufocasse, nos dias quentes de Salvador. 
     5. Vou sentir falta da Saraiva. Não sou um entusiasta da leitura digital. Gosto mesmo é do cheirinho dos livros, velhos ou novos; pegá-los com as mãos e "acariciá-los", como disse um festejado escritor, muito lido, cujo nome, neste instante, não estou lembrado.
     Os que me lerem, se souberem, me digam quem foi ele. 
     6. Aconselharam-me a comprar um Kindle Oasis, para facilitar minhas leituras. Depois de muito pensar, resolvi não adquiri-lo. Se leio anotando e riscando, no próprio livro, com isso recolhendo o que me interessa e apontando o abominável, no Kindle, jamais o faria.
     7. A turma mais nova, meus filhos, inclusive, tentam convencer-me  a evoluir, comprando livros pela Internet. Confesso-lhes, que, por incrível que possa parecer, não sei ir às compras usando meu Notebook e nem meu celular.      Costumo dizer que, até hoje, o meu Notebook só aprendeu a escrever crônicas; sim, meu paciente leitor, aquelas que, de repente, invadem seu celular, numa descomunal ousadia. 
     8. Antes de morrer, aprenderei a comprar  pela Internet, ao menos meus livros. Sei que não terei que enfrentar um bicho de sete cabeças.
     Conheço uma moça, semi-analfabeta, a Magnólia, que compra tudo pela Internet. E eu -  qui ignorante! - ainda não sei comprar uma pizza, sabor calabresa, pelo meu celular.
     9. Estou sabendo que a crise "pandemíaca" também golpeou outras livrarias em todo o território nacional. Não aconteceu só com a Saraiva, que , como disse acima, fechou suas lojas na Bahia. 
     Vou dar um exemplo. Lendo a coluna do jornalista Alvaro Costa e Silva, na Folha de São Paulo, fui informado do fechamento da afamada Livraria São José, no Rio de Janeiro, que também funcionou como sebo, o maior da América do Sul.
     10. Leiam o que Alvaro escreveu sobre ela: "Em sua fase espetacular - entre as décadas de 40 e 60 -, a São José chegou a ter três lojas e estoque de 100 mil livros. Tornou-se editora e promoveu magníficas tardes de autógrafos. A primeira foi um luxo: o Intinerário de Pasárgada, de Manuel Bandeira em 1954". 
     11. A São José tem um passado de glórias.      Foi fundada há 85 anos. Por muito tempo foi o ponto de encontro dos intelectuais brasileiros, entre eles, Vinicius de Moraes, Josué Montello, Ledo Ivo, Augusto Frederico Schmidt e outros poetas e prosadores.
     Data do seu fechamento: 22 de março de 2021.
     12. Encerro, repetindo: que pena! As livrarias estão morrendo e ninguém as socorre.      Acabo de saber, que o Governo Federal  (Governo?), praticando uma sacanagem, aumentou a taxação que incide sobre livros.
     Eu indago: não teria sido melhor isentá-los de qualquer tipo de tributo, facilitando sua aquisição? 
     No mesmo momento, esse mesmo Governo comete a insensatez de zerar ou diminuir, no máximo, os impostos, quando da aquisição de armas de fogo.      
     Essa súcia, que dirige o Brasil, ainda não aprendeu que o livro jamais será nocivo como é o revólver.  Isso é velho!  
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 08/04/2021
Reeditado em 12/04/2021
Código do texto: T7226932
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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