A Pecadora de Jesus

          1. Estou aproveitando a Páscoa para reler a vida de Jesus. E como faço todos os anos, saio  dos Evangelhos, e busco conhecê-la nas páginas de escritores laicos.   Em 2006, voltei à História de Cristo, de Giovanni Papini; e em 2007, reli Ernest Renan e a História natural de Jesus de Nazaré, do falecido escritor baiano Herberto Sales.   Papini, Herberto e Renan, três magníficos biógrafos do Nazareno. Imperdíveis. Quanta inveja eles despertam neste modesto escriba, com seus textos maravilhosos...
          Este ano, 2008, reencontrei meu amigo Jesus de Nazaré, relendo Plínio Salgado.  A Vida de Jesus  escrita por esse genial integralista é a mais romântica das biografias do Filho de Maria, a Santíssima.  Sua caneta, sábia e competente, faz a Bíblia mais agradável; facilita sua compreensão; e  ajuda a entender mais rápido aqueles versículos mais complicados.

    2. Uma deliciosa dúvida assaltou-me quando me preparava para digitar esta pequena crônica: devia escrever sobre a Samaritana? Ou sobre Maria Madalena?

           "Como é que o Senhor, sendo judeu, pede de beber a mim, que sou samaritana?" - 
      O difícil papo entre a mulher adultera do poço de Jacó, uma samaritana, e Jesus, um judeu, é, sem dúvida, um tema fascinante. Com ela, Ele parolou longamente. Mesmo sabendo que a samaritana tinha cinco maridos. Conhecia-lhe os pecados  - pecados? - mas nem ligou pra isso.
     João narra  esse encontro, mostrtando um Jesus despido de qualquer tipo de preconceito; tolerante.
      "Aceitou a mulher como ela era e nela acreditou", observa  frei Carlos Mesters, carmelita, no seu formidável livro A palavra de Deus na história dos homens. A samaritana fica para as Páscoas vindouras.

     3. Optei por Madalena, a mulher que amou Jesus e que por Ele foi amada. Uma opção que atendeu muito mais à minha simpatia pela "pecadora" de Jesus, posto que, nada terei a acrescentar ao que já se disse e se escreveu , pelo menos até agora, sobre Maria de Magdala. 
      Plínio Salgado, por exemplo, narra, em texto longo, o encontro de Madalena com o Rabino.
                Como um evangelista profano, o líder dos camisas verdes (Anauê!) dá ao acontecimento um romantismo só visto em novelas de grande sucesso.
       Como aconteceu, vale a pena recordar.
        Cena tocante! Foi em Betânia, durante um jantar do qual participaram Lázaro e Marta, irmãos de Maria de Magdala. 
      Jesus chega ao local do ágape. Ao avistar o Mestre, Madalena lança-se nos Seus braços? Não. Ajoelha-se, e banha os pés do seu Senhor com suas lágrimas, que jorram aos borbotões. 
     Judas de Curiot vendo aquela cena, não se conforma: chama Madalena de prostituta e censura Jesus por tê-la acolhido com surpreendente complacência e sem fazer restrições. 
     - "É uma pecadora", brada o Iscariotes. 
      O apóstolo João replica-o, dizendo: - "Não, não é pecador; é uma arrependida."
     

          4. Maria Madalena, todos sabem, foi perdoada por Jesus, que não apurou o seu passado. Permitiu sua presença no Calvário, na hora do Consumatum est,  e ainda lhe concedeu o privilégio de ser a primeira testemunha da sua Ressurreição.

      5. Estou entre os que o monsenhor Gilberto de Luna, inesquecível orador sacro da Bahia, chamava de "cristãos de confissão católica". Nem por isso, tenho me recusado a acreditar no amor que deve ter existido entre Jesus - como Homem, redigo, como Homem - e a arrependida Madalena.
     Deus me perdoe, mas não vejo nada demais nesse romance.  Vejo-o até como a divinização do Amor...  Oh! não sejamos inocentes...





                                           
                                        

Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 27/03/2008
Reeditado em 12/07/2014
Código do texto: T919724
Classificação de conteúdo: seguro