Noturno

Dobram-se os sinos
Em tons plangentes
Numa noite em transe...
O vento sopra nas copas
E as estrelas cobrem-se
Com o manto negro
No espaço etéreo.

A terra recebe o ósculo
Das sombras densas
E é tudo nostalgia...
Não se vê um raio de luz
Projetado nesse espaço
Entre terra e céu
É a noite que chega.

Águas desabam em fúria
Pelas faces ressequidas
Em eterna solidão...
A vida, um isolamento só
Plasmada em obsessão
Alma, agora alagada
Por águas pesadas.

São águas que vêm
Do âmago do ser
Na solidão da noite...
O coração, à beira da falência
Tenta reerguer-se da dor
Que o sufoca nessa enchente
De lágrimas sentidas.