QUIABO

Ao sabor da culinária, eis o quiabo.

Do belo, do formoso aporte cultural africano.

Quiabo que se abre ao novo

Que se adentra a um outro prato

Que não perde a viscosidade

Que não perde a essência

Quiabo que faz a Bahia um tabuleiro de acarajé

A Bahia é um tabuleiro de acarajé.

O acarajé baiano é uma mistura de cores e valores

É um símbolo, é um mapa dos deleites.

Quiabo é do quimbundo

Quiabo é o ser belo baiano

Formoso na formação lingüística e cultural

Quiabo é beleza, bondade do bantu.

O quiabo foi trazido da kutanda kimbundu

Para a quitanda brasileira

E é na CASAGRANDE/ SENZALA

Que vira papa de neném

Machucado não virou muxoxo (sapato-do-diabo)

Virou farofa – mistura do dendê africano

Com a farinha da mandioca, indígena.

O quiabo africano sentiu

O sabor amargo do jiló português

E foi capanga carregada entre o sovaco

A sentir a catinga européia

Eis o grito do aflito:

Ó, português escravista!

Veste-te com tanga africana

Para cobrir-te a nudez

Aderlan Gonçalves Almeida

Aderlan Gonçalves
Enviado por Aderlan Gonçalves em 16/09/2010
Código do texto: T2502527
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