ENTRE SONHO E REALIDADE.

As horas!... O tempo!...

O silêncio da eterna solidão

Lentamente, viro a olhar o velho relógio

Num movimento impessoal...

De quem nada mais almeja.

Impiedoso tempo!...

Velho relógio de parede

Testemunho de tanta felicidade,

Risos de alegria, horas de prazer

Não te apercebes que não mais sorrio?

No lugar do sorriso, vieram lágrimas.

Fecho os olhos

na ilusão de que nada mudou,

Sem tempo nem espaço entre nós...

Ouço o gemido do mar, sobre a branca praia

Não te rias de mim!... Também não a tens!

Como tu sol, que festeiro te infiltras,

pelo vão da porta entreaberta,

Não tens tua amada lua!...

Tolos amantes apaixonados!

Estou vazia de mim!...

Sinto teu cheiro, entreabro os olhos

Vejo teu rosto, tua imagem

Estás aqui amado bem junto a mim...

Sorri!... Com o sorriso de menino levado

de jovem, viril, apaixonado,

que o tempo não venceu...

Estendes tuas mãos, sinto o leve toque,

meu coração bate desenfreado

Aos poucos me entrego ao delírio...

Sinto teus lábios deslizando suavemente

Acariciando meu rosto,

descendo mansamente a meu colo.

Brinca... Menino maroto!

Homem por mim tão amado...

entre meus seios, com os mamilos,

rijos em teus lábios, fazendo-os vivos.

O beijo demorado em meu ventre,

enquanto tuas mãos amantes,

envolvem-me em brancas nuvens

revoltas em um céu de primavera.

Amamo-nos com o mesmo

desvairado amor de nossos sonhos

Entre sorrisos, lágrimas e gemidos,

Como um último instante...

O limiar entre vida e morte!

Num ápice de dor e prazer.

Exaustos lado a lado, adormecemos...

O silêncio!...

O selênico esmagador, entre abro os olhos,

Lentamente, viro a olhar o velho relógio!

Amanhece, o primeiro raio de sol...

Ouço a ressaca do mar,

Abandonas tua amada?

Meu leito está vazio, estou só!...

Santo André

SP-BR

CARMEN CRISTAL
Enviado por CARMEN CRISTAL em 01/05/2005
Código do texto: T14061
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