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A MORTE ESCOLHE ALGUÉM

Morreu o poeta com sua carga de relatos.
Por certo a humanidade ficará menos fantasiosa,
menos sonhadora,
mais pobre de estímulos.
 
Corre vida sob pés cansados.
Vento e chuva retratam o espírito triste.
O que se perde em meio à água que corre debaixo
dos pés andarilhos?
 
É líquido o silêncio nos olhos,
e a vida se faz permanente nos trajetos.
Caminha-se em nome de quem e de quê?
De nosso próprio pré-traçado destino?
 
Margearão a estrada dos acontecimentos
aqueles que ficaram nas veredas do Rio Escuro.
De retorno do pó ao pó, a luz solitária
vem na hora bíblica.

A amizade antiga produz o último recado:
o poema com o gosto de lágrima.
É preciso conter o choro,
coragem para o coração pulsar vivo.
A vereda ficou pequena, esvaiu-se aos poucos.

Fiandeiras do fio da vida,
é incerto e dúbio o destino traçado
entre o nascer e o morrer.

Haverá lutas, adiante?
Quais desafios nos restam
além da barcarola de Caronte?
 
É chegada a hora da transposição do Rio Profundo.
Desta para a outra margem, aquela da qual jamais voltou alguém.
A morte é a primeira parada na estrada longa do Eterno.

— É preciso guardar a moeda para pagar o barqueiro da Vida!
 

– O tema foi originalmente publicado, em prosa, no Recanto das Letras. Devidamente oficinado via NET, entre o autor (Porto Alegre) e seu confrade Nelson Rodrigues Corrêa (Belém do Pará). Em poesia tomou o formato acima.
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 24/04/2006
Reeditado em 26/04/2006
Código do texto: T144641
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
3702 textos (922262 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/03/21 16:57)
Joaquim Moncks