Insônia

Na madrugada, monstros e fantasmas

aproximam-se da minha cama,

mas não me assustam mais,

agora são meus amigos.

Ficam sentados, quietos em uma poltrona.

Ouço o silencio total,

reflito sobre minha existência.

O relógio transforma-se em um quadro de Dali,

derretendo minha alma.

Gritos, ecos batem nas paredes do quarto,

tentando sair,

em vão.

O tempo parou em minha mente,

as horas não passam,

o calendário não muda.

Quando chega à minha janela,

de mansinho, o amanhecer,

acordando o pássaro

e trazendo seu canto,

é hora de as falenas adormecerem,

para descansarem da noite em claro.

Fantasmas de lençóis

vão-se com a aurora,

luz e sombra se misturam

são a ponte entre a noite e o dia.

Adormeço por um instante,

vomito meus sonhos,

acalma-se minha alma...

No quarto, a tranqüilidade,

minhas pálpebras relaxam,

aconchego-me ao lençol perfumado,

os objetos tomam forma,

durmo tranqüilo...

...e o relógio toca!

JorgeBraga
Enviado por JorgeBraga em 02/01/2011
Reeditado em 23/01/2011
Código do texto: T2704435