Papel em branco

Papel em branco estava pronto.

O nada esperando o pensamento,

algum sentimento.

Mas o que registrar?

Papel falante ao ouvido, murmura

pensamentos, palavras, redige

provações do coração.

Papel em branco, ávido papel pensante,

ao registrar íntimas, errantes declarações.

Estava pronto ao se tornar escritor,

permanentes vivências,

mudo cúmplice de atos ousados,

confessados ao sacerdote pagão.

Papel em branco maculado

em letras uniformes, transparentes,

íntimos pensamentos dentro do homem.

Que através dele surjam mensagens

não lidas em pensamentos,

não ditas em palavras, somente sentidas

carências do homem, seu íntimo retrato.

Do livro “Reflexeções, um breve instante no tempo” pág. 17

JorgeBraga
Enviado por JorgeBraga em 10/02/2011
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