Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

SEDE, FOME E ESCÁRNIO

Tudo o que eu tinha investi em vento
e saudade.
Esgotei lágrimas,
iludi-me com a luz da cidade.
A fome não tem morada
perambulo nela, sem teto.
O amanhã não é certo,
só há o resto, a solidariedade de uns.

O silêncio da noite mente
esconde murmúrios, lamentos
e não fotografa por dentro.
Só o sonho é ilusão doce de paz,
um vento que remove montanhas,
sacode poeiras
e desmancha horrores.
É uma excursão da alma.

Mas o dia chega.
Cidade:
redemoinho de homens sem cara,
solo fértil das futilidades,
anseios infrutíferos,
espaço amplo que não cabe quem na vida desanda
ou quem nela chegou tarde.
Só sede, fome e escárnio são o que hoje me cabem.
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 15/07/2005
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T34610


Comentários

Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
1357 textos (37876 leituras)
2 e-livros (241 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/05/20 03:35)