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Ao Escuro


Aquele homem batera
todo dia à minha casa
sem nunca encontrar:

nada

                 /   da janela
                 do sobrado
                 meus olhos
                 de soslaio

poderiam ir ao fundo
da própria ameaça,

salvá-los.

(meus brinquedos não
eram tão velhos para
seguir em sua viagem

sozinho)

Mas não iam ao fundo
paravam à margem
chapinhavam o medo
que nadará o homem
que nada a criança.

(Tornando-se homem
planeja a vingança
um ataque à ameaça) /

Aquele velho baterá
todo dia à minha casa,
e só encontrará nada.

E dizem que
não vejo que o velho
passa fome:

O homem do saco
leva hoje
desaforo para casa.

Eduardo Lacerda
Enviado por Eduardo Lacerda em 18/07/2007
Código do texto: T569661

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Sobre o autor
Eduardo Lacerda
São Paulo - São Paulo - Brasil, 38 anos
32 textos (3241 leituras)
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Eduardo Lacerda