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O palhaço...(ou o poeta da pantomima)


O palhaço...
(ou o poeta da pantomima)
 

 
Tal um viajante fugindo de emboscadas,
Vai ele movendo-se entre circos e estradas
Por distâncias que aos sonhos consomem
Colhendo migalhas que os  fartos não comem
 
Vai forçando na lida, docemente, as fechaduras
Que teimam em trancar-lhe o riso de ternuras
Nos palcos e arenas, para viver sua pantomima
Cerra os ouvidos aos apelos da triste rima
 
Veste-se de luzes, de cores e purpurina,
Deixa no sótão a sombra que desanima
E as saudades que habitam as suas pupilas,
Atrás das portas da retina, calam tranqüilas
 
Alguns o fitam como se uma caricatura
Não compreendem tal humana armadura
Nem o garbo de que reveste sua tristeza
Que nua, ofenderia da cena, a beleza
 
(Pasma de inveja tanta pobre criatura,
Quando o pensa só de atavios e sem ternura...
A vaidade dela em pompas n'alma acastelada
Cega sua vida, não mais vê além de um nada )
 
Na boca, seu riso pintado sempre largo
Nos olhos, a arte de enganar o amargo...
Sua imagem de sonhador nos fascina
E a rir-se, quando chora de dor, nos ensina...
 
12/12/2001    
Lizete Abrahão
Enviado por Lizete Abrahão em 04/12/2005
Código do texto: T81031


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Sobre a autora
Lizete Abrahão
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Lizete Abrahão