QUANDO A POESIA SE AUSENTA

Não há poesia

No riso frouxo dos ricos

No adeus aflito do suicida

Na vida escassa do escravo

No navio que se finda no mar

Na mão estendida da criança sem lar

(Embora a poesia, neste caso, esteja oculta atrás dos seus olhos famintos, do sorriso não dado, da ausência da infância que não conheceu)

Não há poesia

Na ânsia assassina do tirano

No ato insano do homem-bomba

No revide

Na vingança

Na gula do império americano

Nas crianças assassinadas naquela escola russa

A poesia às vezes sem ausenta

Não sei em que raios parte

Em que planeta se esconde

Onde vai parar

Nestas horas imensas

Quando a humanidade também falta

Quando tudo mata e o coração sangra