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ME DOANDO**

Vou andando e me doando.
Ao final não quero sobras.
Nada.
Não quero mágoa,
máculas na alma,
nódoa na roupa.
Limpidez, transparência. Lucidez é a meta

Não quero voltar  pra consertar,
botar acento,
circunflexo,
revisar a gramática,
desentortar linhas incertas,
aprumar o pêndulo
acertar o relógio.
O tempo é só um vento ligeiro. Passageiro.

Vou indo sem máculas.
Minhas marcas são leves,
como passos de criança na areia.
Pecados não aderem à minha’alma
eles se esvaem pelo ralo. São nada.

Não quero deixar carma,
ter que voltar
pra fazer remendos,
calar ais e curar cortes abertos.
Vou deixar tudo quitado:
dívidas poucas
e zerada as dúvidas.
Paz é herança e legado.


cp-araujo@uol.com.br
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 12/07/2005
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T33437


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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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