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POUCO CONHECIMENTO**

Noto que Deus me deu a vontade
e a necessidade de contar histórias,
de traçar enredos e falar de desejos.
Deu-me a palavra
e o desconhecido para desvendar.
Justifico assim o meu delírio
de ir além do que aprendi nos livros.
Vejo com clarividência
que onde nasce a luz nasce a alma
e o universo crepita, cintila,
criando vida na água.
A natureza procria na dança dos planetas,
o oceano balança, faz o contrapeso.
Na Terra tudo é único e se multiplica
e o silêncio só existe à distância,
de perto tudo são explosões nucleares,
mistério enquanto se desconhece.

Estrelas acendem brilhos no cosmos
e na terra o homem busca,
no infindo fragmento, a fonte atômica.
Insiste em produzir energia sem vida
contra meu desejo anticientífico, humano, animal,
de sobreviver à hecatombe total.
O homem é só uma doença do planeta,
um vírus letal em guerra constante,
e eu um mero pensador sem instrução,
sem revelação divina
a me imiscuir por caminhos
de onde já nem sei sair.
Sou bicho acuado no concreto,
na encruzilhada da vida, no meio de homens e morte
tentando sobreviver.

Sou o cientista sem instrução,
alquimista virtual,
mesclando cores, odores e palavras,
trotando no cavalo louco do pensamento.
Sou como o vento balançando a mata,
derrubando ninhos,
provocando revoadas e debandes.
Mas logo me acalmo
e volto para o assento comum dos mortais.
Já não quero viajar pelas sendas estreitas e frestas da realidade
Inventar um mundo é fácil;
o duro é desmanchar a rocha
e fazê-lo escorrer como lava de vulcão.


cp-araujo@uol.com.br
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 12/07/2005
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T33471


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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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