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A ME REVELAR

Vivo de inventar situações e de simular a vida,
num recriar contínuo de tudo ao meu gosto e gesto,
Talvez me falte coragem para a verdade,
ou talvez me sobre música por dentro.

Inteiramente falso e real é o mundo que crio
e que escoro com palavras e sons.
Participo anônimo da conversa surda do mundo.
Jogo meus confetes por aqui e ali,
adentro carnavais alheios e espio a farra.

Me molho na água de rios passados.
Hoje sou outro homem, diferente de ontem,
e acordo cheio de sinais, marcas e estigmas,
lembranças que me instigam e me dão saudades
de um tempo remoto que não vivi.
Não sei se sou farto de sonhos e esperança
ou se ando entrando de fato na vida.

Me sinto meio mico de circo - me revelo.
Meio leão dourado - me escondo.
Quero a glória, mas não dou desconto a ninguém.
Sou um oco de incertezas. Impreciso
quero determinar caminhos,
impor metas, recolher os frutos que plantei.

Quem eu acredito que sou é diferente daquele que se revela.
Minha vida externa - monótona,  pacífica...
Minha vida interna - uma guerra infinda, uma novela, trama e mistério.
Inverter, botar tudo pra fora é uma meta,
uma ânsia eterna que esbarra na velha previdência.
Sinal de alerta!
Está não é uma possibilidade improvável.
De pára-quedas nas costas é sempre previdente.

Fico me definindo para esconder a essência
ou para revelar a escondida demência,
que no escuro se revela e quer a luz.
Saltar de banda, dançar o frevo, viver um fado...
Talvez, no máximo, fazer uma canção popular.

cp-araujo@uol.com.br
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 12/07/2005
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T33458


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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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