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LAVAR A CIDADE**

Eu tenho água pra lavar a cidade
e muita mágoa pra fazer o enxágüe.
Tenho vento suficiente pra varrer o mundo,
sacudir as árvores e destelhar as casas.

Eu tenho dor, eu tenho calo, eu tenho o pé inchado
de tanto correr atrás de estrago pra adiantar o lado.
Eu faço samba, eu danço e canto sem ser o cantor.
Eu cumpro a sina e descreio do destino. Sou desatino.

Eu ando no meio fio, eu teço a rede e pesco o peixe.
Eu faço o feixe e eu mesmo o quebro.
Eu me arreio e me cavalgo. Sou notívago e acordo cedo.

Eu colho o que não plantei e esqueço o que teci.
Assim vou levando o fardo, rompendo cerca.
Eu sou o arco e o alvo, da cidade a dor.
Do chão em que fui plantado parti.
Eu sou daqui, mas estou chegando agora.


cp-araujo@uol.com.br
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 12/07/2005
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T33469


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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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