Amor INdolor

Pensando eu oficiar-me legitimado dono

Maculei palavras proferidas em tua verdade

Atirei-me andarilho aos braços do abandono

Pelo aparente desatino vestindo sagacidade

Consoante às intempéries num olhar tão patrono

Fiz do presente lembrança, da lembrança saudade

Afortunado em má sorte fiz-me em vida outono

Nos prados escarlates fiz-me sepulcro à vaidade

Sucumbiu diante de mim levado pela corrente

O ardor derradeiro de um sentimento prestante

Aviltou-se meu semblante como constante torrente

De uma vida caudalosa num sentido arrebatante

Face ao pranto impregnado em minha alma fria

Em minha pele tosca jazem libidinosas sensações

Abordoada de um amor que em cativeiro fenecia

Pelos vindouros anos que me devota privações

Amor da minha vida, sentença da minha morte

Condenou-me impiedosa sem direito a defesa

Com o aço dos teus lábios proferiu vistoso corte

Inda hoje sangro. Saudades da minha tigresa!

CarlosViana
Enviado por CarlosViana em 27/04/2012
Reeditado em 18/01/2021
Código do texto: T3637325
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