SORRISO DE NINFETA
 
 
A menina que vendia rifa.
 
 
Ah, o teu sorriso é belo e imaculado, de uma brancura suave como o da porcelana chinesa!
Quando eu vi pela primeira vez o teu sorriso, achei que era o de um anjo trânsfugo caído do céu.
Sorriso como esse, eu juro, é mais do que puro!
Ele se repete todos os dias com a mesma despretensão e a gostosa inocência, assim quando ela passa por mim vinda da escola.
Meio tímida, mas logo quando me vê, ela desabrocha a sua linda soberania, uma linda vinheta indizível que brota de forma espontânea dos seus lindos lábios ainda infante.
Ele é um jardim noviço querendo explodir, uma pequena granada vermelha exposta a um porvir, sem querer, despertando angelicamente no seu lindo rosto bem feitinho.
Sorria, sorria menina, porque no teu inefável sorriso está estabelecido o quê de mais lindo deténs: A tua sagrada inocência.
Perdoa-me, ó menina, mas nesse teu trejeito de anjo, perambulam ensimesmados os meus crepusculares sonhos.
Confesso que, o teu sorriso inefável é um lenitivo sacrossanto, para as minhas doridas angústias.
Por isso, minha linda menina, sorria todos os dias, gota a gota, dente a dente, lábios a lábios, como se fosse uma infusão de ervas adocicadas do paraíso das ninfas.
É certo que eu beberei de longe a infusão miraculosa do teu sorriso, e assim, terei a certeza de que busquei a cura repentina para todos os meus males.
Ah, menina, a rifa que estás a me oferecer, essa teimosa caridade imposta, deve de pronto ser vendida com a chancela linda do teu sorriso.
A mim, minha menina, não importa o prêmio, pois já me considero contemplado, sem ao menos escolher o numero que deverá ser sorteado, pois o teu sorriso é o meu maior troféu.
Receber o teu sorriso graciosamente todos os dias pela manhã, é possuir o mais cobiçado dos tesouros.
Ouviste menina!
Nem todos têm essa sorte e essa fortuna todos os dias.
Agora eu quero te confessar que no passado, há muito já distante, eu também sorria assim como tu sorris.
Às vezes acho que sim, mas às vezes acho que não.
Sabe menina, a minha vida foi tão envolta em brumas, que nessa obscuridade escondeu-se de súbito o meu sorriso.
Hoje, num disfarce meio triste, transporto-me para um passado navegando o teu sorriso mais do que lindo.
Por isso, minha linda menina, conserva sempre este lindo sorriso.
Ele é a manifestação feliz da tua alminha e do teu ser.
Mas quanto a mim, minha menina, eu não sei mais sorrir, eu só sei que a minha alma sorri, quando tu passas sorrindo para mim.
Leva este teu sorriso pela vida afora!
E lembra-te menina!
Quando te fizeres mocinha crescida e eu não mais existir, lembrarás que um dia, já sorriste para um poeta que não sabia mais sorrir.
 
 
 
 
 


Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 10/01/2009
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