Ouço ainda a voz da minha avó chamando lá na casa abaixo: Para dentro criançada!Vem chegando um temporal! E nós, crianças livres e felizes, soltas nos jardins e pomar, corríamos para a cozinha onde sempre havia um lanche feito com carinho, ali nos alimentávamos continuando a brincadeira, o corre corre, deixando tia e avós cansados, era difícil acalmar a tropinha sapeca.
Tempos bons de férias, longas temporadas ali vivendo, quando meu pai deixava os filhos sob cuidados deles enquanto ia em missão de trabalho para outras longínquas terras. Recordo-me todos os dias desse "ontem" ao ir caminhar ali no chão que me acolheu na infância, e onde fico dialogando com a saudade que me responde com a sinfonia do vento. Parece que nela ouço as vozes do passado ali gravadas, talvez só eu as ouça assim especiais porque ao falar disso a irmãos e pais eles dizem que procuro isso pelo sentimentalismo aguçado. Há ainda algumas árvores antigas que permanecem fortes enfeitando o local, considero-as velhas amigas.Outras foram plantadas depois ao modificarem quase tudo. Uma pena foi terem drenado um grande lago na entrada da propriedade, deixando apenas pequena lagoa abastecida pela nascente imorredoura e forte, que é como esta minha saudade, sempre presente em qualquer estação do ano.


Gravei um flash de parte do local citado, ali há solidão verde e bela, não tem como não sentir saudade. http://youtu.be/VIkRA5ojMkE



26/02/13 - Foto da autora
Marilda Lavienrose
Enviado por Marilda Lavienrose em 26/02/2013
Reeditado em 01/08/2013
Código do texto: T4160286
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