Ato Final




Úmidas catacumbas,  morada dos sonhos
Templo dos vultos tétricos e enfadonhos
Descarte final, existir  efêmero e triste
Senhores poderosos com dedos em riste


Na terra fria soterradas  a intensa agonia
Possuídas almas entrelaçadas na hipocrisia
Rosários inúteis,  infinitas orações tardias
Passados os  sacros períodos das liturgias


No desintegrar acelerado da vil matéria
Vermes apressados corroem as artérias
Enlouquecidos cospem lamúrias e miséria


Emaranhados de pós e ossos  em contenda
Imponência, ouro, a morte não os sustenta
Almas errantes encalhadas nas tormentas.




(Ana Stoppa)






Ana Stoppa
Enviado por Ana Stoppa em 15/05/2012
Reeditado em 23/01/2013
Código do texto: T3668979
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