Eternidade
 


Acolha-me amado na  tumba fria onde habitas

Desnude  a face desfigurada entre pálidos véus

Deixa-me  ficar  abraçada ao teu  inerte corpo

Liberte-me de vez deste infernal mundo louco

 

 Preciso-te hoje percebo  na minha alma  perdida

 Desfalecida na essência desde a trágica despedida

Amargas  lembranças de vidas em  desencontros

Perdidas nas expressas vias destoadas de pontos

 

Misturo-me  às trevas testemunhas do momento

Impotente  sinto-me  diante  da fome dos vermes

Destruidores implacáveis  a cobrir tua alva derme

 

Arrebata-me  de vez para o  cinza de teu sepulcro

Buscarei na dor do umbral acender  tardia  chama

Luz nas contas do rosário, lágrimas de quem ama.



Ana Stoppa, 25.03.13



ANLPPB Cadeira n. 43

 


Ana Stoppa
Enviado por Ana Stoppa em 27/03/2013
Reeditado em 27/03/2013
Código do texto: T4209704
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