O CORDÃO UMBILICAL

O analista atua somente sobre o texto que lhe foi enviado. Nada mais. A subjacência que não ficou registrada, que o autor não conseguiu lavrar ao ponto de imprimir veracidade, é mergulho íntimo que não chegou ao plano material. Portanto, não existe. E pouco importa se teve raiz no intuitivo ou no intelectivo. O que importa é a forma e o formato que carregam o intento de brilhar como a “estrela que vira flor...”. Quando o crítico sugere nova forma para o texto do criador original, intenta comunicação através de possível lucidez que o surreal pode intuir. Neste momento, ele é o titular do intertexto surgido a partir da impressão autêntica, logo, é apenas o subcriador da peça. Todavia, o texto é do autor que o criou, e é ele quem o assina, na forma e formato de sua escolha. O texto analítico é quase sempre a antítese à tese posta. A formulação sugerida, em Arte, dificilmente é a síntese. Desta sorte, não há lógica formal na crítica literária. A antítese é somente quanto à forma e não em relação ao conteúdo. O autor original gosta ou não gosta da proposta e a aprova ou não... E, se acaso a pretender estética (e não o cordão umbilical visceral da intuição) terá a chance – possivelmente – de agradar mais pessoas, por sua clareza objetiva ou subjacente. É uma mera questão de escolha sobre um trabalho de terceiro, que enriquece ou não o original, segundo a ótica de seu autor. Este é que deverá definir o texto definitivamente.

– Do livro A FABRICAÇÃO DO REAL, 2013.

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