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Se alguém me dissesse eu duvidaria; se eu lesse na internet, afirmaria ser um exagero ou mentira da fonte, mas eu ouvi de fontes seguras no Marrocos; de Tétouan à Marrakesh, por onde andei ouvi as histórias das garotas que são mutiladas no clitóris e nos pequenos lábios vaginais e seus carnífices são seus pais ou seus consortes.
 
Mutilação Genital Feminina que leva a sigla MGF é o termo que descreve o ato com maior exatidão; é vulgarmente conhecida por excisão feminina ou Circuncisão Feminina. É uma prática realizada em vários países principalmente da África, e da Ásia, que consiste na amputação do clitóris da mulher de modo a que esta não possa sentir prazer durante o ato sexual.
 
Embora se acredite que esta prática seja muçulmana, em nada está fundamentada religiosamente, tendo em vista de que os escritos em que tentam conectar a prática ao Islã são fracos, sendo assim, a prática não é adotada nos países onde a “sharia” (código islâmico) é fortemente estudada.
 
Esta prática não tem nada em comum com a Circuncisão Masculina, que é uma prática religiosa atribuída aos judeus. Segundo essa tradição, “pais bem intencionados” providenciam a remoção das suas filhas pré-adolescentes do clitóris, e até mesmo dos lábios vaginais. Há outra forma de mutilação genital chamada de infibulação, que consiste na costura dos lábios vaginais ou do clitóris.
 
A circuncisão feminina é um termo que se associa a um determinado número de práticas incidentes sobre os genitais femininos e que têm uma origem de ordem cultural e não de ordem medicinal. É uma prática muito freqüente em certas partes da África e é praticada também na Península Arábica e em zonas da Ásia. A prática da circuncisão feminina é rejeitada pela civilização ocidental. É considerada uma forma inaceitável e ilegal da modificação do corpo infligida àqueles que são demasiado novos ou inconscientes para tomar uma escolha informada.
 
A circuncisão feminina elimina o prazer sexual da mulher. A sua prática acarreta sérios riscos de saúde para a mulher, e é muito dolorosa, por vezes de forma permanente. Ainda brutal e intolerável, mas no primeiro mundo a circuncisão feminina é praticada por médicos, que trabalham com anestesia. Ela foi mais aplicada no século 19, em especial até os anos 1960 nos EUA e outros países, principalmente para podar clitóris ou lábios grandes. Achava-se que os órgãos grandes e muitas vezes saindo dos lábios maiores são anormais e que tais meninas teriam uma maior tendência para tornarem-se prostitutas.
 
A Mutilação Genital Feminina é um costume sócio-cultural que causa danos físicos e psicológicos irreversíveis, e ainda, é responsável ainda por mortes de meninas. Pode variar de brandamente dolorosa a horripilante, e pode envolver a remoção com instrumentos de corte inapropriados (faca, caco de vidro ou navalha) não esterilizados e raramente com anestesia. Viola o direito de toda jovem de desenvolver-se psicosexualmente de um modo saudável e normal. E, devido ao influxo de imigrantes da África e do Médio Oriente na Austrália, no Canadá, nos EUA e na Europa, esta mutilação de mulheres está se tornando uma questão de Saúde Pública. Algo que não se deve desconsiderar são os custos do tratamento contínuo das complicações físicas resultantes e os danos psicológicos permanentes.
 
Têm-se promulgado leis para ilegalizar e criminalizar esse costume. Embora muitos códigos penais não mencionem diretamente os termos “Circuncisão Feminina” ou “Mutilação Genital Feminina”, é perfeitamente enquadrado como uma forma de "abuso grave de criança e de lesão corporal qualificada". Vários organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), têm envidado esforços para desencorajar a prática da mutilação genital feminina. A Convenção sobre os Direitos da Criança, assinada em Setembro de 1990, considera-a um ato de tortura e abuso sexual.
 
A prática assassina é considerada no mundo ocidental um dos grandes horrores do continente africano. A sua prática está cercada de silêncios e é vivida em segredo. Manifestar-se contra esse costume é difícil e, às vezes, perigoso para mulheres ou homens que se opõem. Em muitos casos, são acusados de ser contra as tradições ancestrais - dos valores familiares, tribais, e mesmo de rejeitar seu próprio povo e sua identidade cultural.
 
Milhões de pessoas bem intencionadas são desinformadas o que as levam a crer que a Mutilação Genital Feminina é benéfica. A educação e o diálogo são a única maneira de realmente combater os conceitos errados e a superstição. Para a cultura ocidental uma forma de mudar esta mentalidade é educar as mulheres mais velhas que perpetuam esse costume, bem como dos homens mostrando os danos físicos e psicológicos. Normalmente, é o pai que paga para a realização da "cirurgia", para que possa casar suas filhas com homens que não aceitam mulheres incircuncisas. Outro motivo da continuação desse ritual é que é uma importante fonte de rendimento para os que a realizam. Mesmo quando médicos a realizam em algumas clínicas, na tentativa de evitar que as meninas sofram os riscos e traumas resultantes de ablações anti-higiênicas e sem anestesia, contudo, ainda assim para o ocidente considera-se que se trata de mutilação genital feminina com as mesmas conseqüências graves e desumanas.
 
Acreditem, mas em muitas culturas desde os países de África (como o Marrocos que eu próprio estive vendo) a Ásia, pessoas acreditam que a mutilação genital feminina está certa; os pais, mas mais propriamente a mãe e a avó têm votos decisivos na questão; elas acreditam que se a jovem não for "cortada" nunca irá arranjar um marido, isso é a pior coisa que pode acontecer a uma jovem; tal jovem ter se sujeitado à MGF é uma condição prévia do casamento. Se uma mulher não for mutilada pensa-se que ela não é pura e encaram-nas como prostitutas e são excluídas da sua própria sociedade. Algumas razões que são apontadas para a realização da MGF: assegurar a castidade da mulher, assegurar a preservação da virgindade até ao casamento, por razões de higiene, estéticas ou de saúde, também se pensa que uma mulher não circuncidada não será capaz de dar à luz, ou que o contato com o clitóris é fatal ao bebê, e ainda, que melhora a fertilidade da mulher.
 
AS HISTÓRIAS REAIS QUE EU OUVI NO MARROCOS
 
Por questões de segurança eu não tive acesso a nomes, mas vi algumas destas garotas, algumas com menos de 10 anos que tiveram arrancados seus clitóris e algumas que, além disso, também tiveram cortados os lábios vaginais. Os pais monstros que mandam executar (outros próprios os executam) chegam ao ponto máximo do sadismo de fotografar parte do ritual macabro; as crianças são amarradas os membros numa mesa e têm suas bocas amordaçadas para abafarem os gritos. Eu próprio vi alguns dos instrumentos como navalha de barba afiada ao extremo que servem para um único golpe certeiro da retirada destas partes intima da mulher; alguns me disseram que também eram utilizados cacos de vidro e até facas de cozinha.
 
No Sul da Espanha, por onde também andei; as rádios sérias da região de Jerez de La Frontera, Algecíras e Sevilha não se cansam de divulgar as histórias mais lúgubres que ocorrem do outro lado do Estreito de Gibraltar e o silêncio das autoridades marroquinas. ONGs e a imprensa do mundo inteiro tentam em vão conscientizar e até denunciar os atos bárbaros contra as crianças do sexo feminino do Marrocos, mas todas as ações são em vão; acredita-se que do lado de lá do Estreito, cerca de 5 meninas todos os dias têm seus clitóris arrancados; do número total, informações não oficiais afirmam que 10% delas morrem de hemorragia e outras complicações após o ato; ainda assim, seus pais continuam as barbáries.
 
Eles podem chamar isso do que quiserem; eu afirmo que isso é uma mistura de estupro com homicídio qualificado...
 
Será mesmo que somos nós os anormais?
 
 
Carlos Henrique Mascarenhas Pires
www.irregular.com.br

Imperador Dom Henrique I
Enviado por Imperador Dom Henrique I em 11/09/2009
Reeditado em 11/09/2009
Código do texto: T1804581

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Imperador Dom Henrique I
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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