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A aurora do homem


     Na semana passada, a tevê a cabo levou ao ar uma coletânea de filmes do genial cineasta Stanley Kubrick, capitaneadas pelo antológico  “2001, uma odisséia no espaço”. Os oito minutos iniciais do filme dão a aura de cult que a película possui, valendo por toda a obra. As cenas mostram um bando de seres, semelhantes a macacos, acuados e com fome, sem maiores perspectivas de vida. Em seguida eles descobrem um poste, como um totem, a quem passam a admirar (e até adorar) e, em paralelo, um osso, possivelmente um fêmur, que utilizam como arma, tanto para a caça como para a defesa.

     É o início da nova era, a aurora humana, como diz o cineasta, com a descoberta do “ser superior” (imaginado no totem) e da possibilidade de libertação, através da arma, que lhe possibilita caçar (para a subsistência), defender-se (e manter seus territórios) e matar (para consolidar o poder). Em conseqüência dessas descobertas, o ser primitivo se rejubila e - um avanço em sua evolução - coloca-se de pé.

     Ele deixa a raiz primata para ingressar no âmbito humano. O que era só macaco (pitékos) torna-se homem (ántropos) dando origem a um novo espécime (pitek-antropos), agora de pé (erectus). A roda e o fogo, posteriormente, fechariam o ciclo das descobertas. Já não é mais o “elo perdido”, mas o novo homem. Gozado que eu já tinha visto o filme outras vezes, e só agora me permiti esse tipo de análise, justamente quando, nesse início de semestre, estou lecionando “antropologia científica” numa pós-graduação. Para os apressados, alerto que tais premissas não se filiam às idéias evolucionistas de Darwin. A própria antropologia cristã, representada por diversas escolas bíblicas modernas, admite que Deus insuflou o espírito imortal, não no modelo palestinense do “boneco de barro”, mas em um ser preexistente, um antropóide de criação anterior, surgindo daí o homem. O dogma criacional situa-se na linha do espírito. Deus criou, do nada, o espírito humano, plasmando-o numa matéria, no caso um pithecantropos, que ainda andava de quatro. Sabendo-se os milhões de anos que separam as criações do cosmo, da terra e do ser humano, damos crédito àqueles que afirmam que "a criação em seis dias" é uma metáfora antropomórfica.

     A matéria, pela novidade das teorias, ainda é polêmica. O homem não veio do macaco, pois os macacos, como os conhecemos, naquele tempo milenar, pós-glaciações, já haviam experimentado todo um processo de evolução. O ser humano, embora criado deficiente, pertence a outra esfera da criação, por conta da iniciativa divina.




Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 20/10/2006
Código do texto: T269255
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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