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Histórias de cornos


É obscura a origem da idéia de ligar chifres à infidelidade feminina, bem como da palavra “corno” com o sentido pejorativo que a ela emprestamos, hoje em dia.

Na Idade Média, quando se chamava alguém de cornuto, queria dizer alguém com um chapéu, um capacete, uma mitra, ou alguma coisa na cabeça.

Os guerreiros nórdicos (dinamarqueses e suecos) exibiam sua masculinidade e poder através de capacetes de aço com vistosos chifres.

Nas culturas do Oriente Médio, o chifre na cabeça é sinal de poder e sabedoria. Moisés desceu do Sinai com dois “chifres” de luz na cabeça, texto que as Bíblias atenuaram, retirando a expressão chifres e deixando apenas as luzes.

O hilário popular tem muitas histórias. Primeiro aquela do cara que matou o amigo que, diligentemente, veio dizer-lhe que a mulher não era fiel. O homem ficou transtornado e deu um tiro no amigo: “eu era corno mas era feliz!”.

Outro, sabendo que a mulher pulava a cerca afirmou: “eu não posso acompanhar o pique dela, ela é boa mãe, cuida da casa, eu trabalho demais, deixa ela se divertir, não tira pedaço...”.

Numa cidade da zona sul, a mulher ia todas as noites para a fila do INPS, “tirar ficha” para a vizinhança. O marido elogiava sua atitude “humanitária” para os amigos, que riam. Ela botava alguém na fila e ia para as boates. Voltava de manhã, cansada e com dinheiro...

Na zona alemã, um marido estava feliz porque a mulher arrumou um emprego à noite, no hospital de numa cidade vizinha. “O hospital é tão bom, paga por dia... agora ela está há uma semana sem poder trabalhar – dizia ele em seu sotaque germânico – pois pegou um gripe muito forte, chamado ‘ganiréia’...”.

Tem aquela, que o marido chegou em casa fora de hora e a mulher estava com o amante. Ela pressentiu o barulho do carro e escondeu o “Ricardão” atrás de um sofá. O marido chegou, sentou no sofá. Mais do que rápida ela vai e senta no colo do corno e lhe diz: “Sabe, Zé, a vizinha é uma mulher sem-vergonha, estava com um homem dentro de casa. O marido chegou, ela escondeu ele atrás de um sofá, assim como esse nosso. Quando o marido se distraiu, ela disse (e diz para o amante) ‘sai daí, ligeiro!’”(e o cara se mandou).

Confiante, o marido dá uma risada e diz: “Como tem nêgo besta neste mundo! Isso jamais aconteceria comigo!”

Os cornos têm diversas nomenclaturas. Há, por exemplo, o corno “pai-de-santo”: toda a vez que chega em casa tem que “tirar um caboclo” de cima da mulher. Outro, volta-e-meia flagrava uma falseta da esposa. Emburrada, ela se trancava no quarto por vários dias. Ele batia na porta, pedia desculpas, levava almoço na bandeja, dava presentinhos. Depois de uma semana ela “amansava”...

Um corno gentil que conheci, bom marido, sem saber da missa-a-metade, esperava, à noite, a mulher (que tinha ido pra gandaia) com uma sopinha quente...

Uma vez dois caras brigaram. Um chamou o outro de “descalcificado”. Um terceiro corrigiu: “Tá errado, é ‘desclassificado’!”. O outro aduziu: “Não, é descalcificado mesmo, por tudo que a mulher dele apronta, o chifre devia estar à mostra na testa!”. Era falta de cálcio, mesmo.

Essa da mulher viajar a negócio, passar fim-de-semana na casa da cunhada, vir fazer compras na capital é manjada. Tinha uma que fazia “mestrado”, viajava todas as semanas. O diploma nunca apareceu. Inconformado com a cornice do amigo, um filmou a dona entrando várias vezes em motéis. Ao ver o vídeo, o corno disse que era “montagem”.

Outro, candidato a corno, foi ao psiquiatra, pedindo um tratamento para aligeirar a frígida esposa. Ele tinha uma amante fogosa, que tivera três maridos, e chifrava (com ele) o quarto. O profissional avaliou a situação e disse:

“Se transformarmos tua mulher numa fogosa como a outra, vais levar o mesmo chifre que os demais levaram”.

O marido achou melhor desistir.





Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 21/11/2005
Código do texto: T74299
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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Antônio Mesquita Galvão