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Herpes - Qualquer um pode ter
 
Depois da gripe a doença contagiosa por vírus mais comum no mundo é o Herpes. Para se explicar sobre esta patologia, precisamos esclarecer o que é vírus:
 
Vírus são partículas submicroscópicas (DNA ou RNA) que infectam células vivas específicas; integram-se com o material genético da célula e utilizam o próprio metabolismo celular para se reproduzirem, gerando, assim, novas partículas virais.
 
O herpes tem afinidade por células derivadas do tecido ectodérmico, principalmente as células epiteliais e células do tecido nervoso (dermoneurotrópico).
 
A palavra herpes designa um grupo especial de DNA vírus da família herpesviridae, dentre eles:
 
1 - Vírus varicela-zoster - que causa Varicela ou Catapora
2 - Herpes vírus hominis - ou vírus herpes simplex I e II
3 - Epstein-Barr vírus - causador da Mononucleose infecciosa
4 - Citomegalovírus
 
Esses vírus, após a primeira infecção, produzem anticorpos neutralizantes. Em seguida, entram num período de latência por tempo indeterminado, mas podem ser reativados em caso de imunodepressão.
 
Todos estes vírus, por serem de fácil contágio, são adquiridos na infância, na maioria das vezes.
 
Milhões de pessoas são portadoras da doença em uma forma latente ou apresentam crises recorrentes, sendo um sério problema de saúde pública.
 
O vírus e as lesões herpéticas têm o seguinte comportamento:
 
- Fácil disseminação.
 
- Graus diferentes de morbidade, dependendo da imunidade de cada pessoa. Geralmente de evolução benigna, podendo chegar a quadros gravíssimos.
 
- Não há um tratamento eficaz para a sua erradicação no organismo. Pode se instalar no corpo de um paciente e ficar em fase estacionária ou, ao contrário, apresentar recidivas frequentes da doença.
 
Características do Herpes simples (HSV I e II)
 
O HSV I (herpes tipo I) é a forma mais comum da doença, principalmente nos lábios, rosto e nariz - áreas de constantes traumas ou micro-traumas.
 
Os sintomas, após a contaminação, podem aparecer entre dois a vinte dias ou até mais. Por outro lado, pode-se ter o contágio sem sintoma algum e a primeira lesão só surgir anos depois, numa outra crise da virose.
 
A duração da doença é em torno de sete dias, evoluindo assim:
 
- Primeiramente surgem na pele ou mucosa uma vermelhidão e edema (inchaço)
 
- Depois aparecem vesículas (bolhas), geralmente pequenas, múltiplas, circunscritas, que se rompem com muita facilidade, eliminando um líquido claro
 
- Após a ruptura espontânea das bolhas, este local toma aspecto de feridas abertas, com a base da cor branco-acinzentada e perímetro avermelhado. Se houver infecção secundária por bactérias, estas lesões tomam aspecto amarelado ou purulento. Nesta situação, é comum se confundir herpes com impetigo, que são lesões bolhosas causadas por estafilococos e estreptococos.
 
- Os gânglios linfáticos (que estão produzindo aceleradamente anticorpos para combater esta agressão) aumentarão de tamanho e poderão ser percebidos à palpação. As cadeias linfáticas mais perceptíveis estão no pescoço, axilas e região inguinal (popularmente chamado de íngua).
 
- Sintomas gerais podem acontecer em qualquer quadro herpético: febre, cansaço, fraqueza muscular, cefaléia (dor de cabeça) e artralgias (dores articulares). Nas crianças isto é mais comum, evoluindo com inapetência e perda de peso.
 
É comum na infância a estomatite herpética - na fase de erupção dentária, entre um a seis anos. O herpes agride toda a mucosa oral (principalmente gengiva, palato e língua), região peribucal e orofaringe. O diagnóstico pode ser confundido com aftas.
 
- Na fase de remissão do herpes, a área se torna crostosa, seca e muito frágil, levando a fissuras, que podem até provocar pequenos sangramentos, o que é comum nos lábios - por serem região de constante agressão do sol, ar, frio, ácidos da saliva, traumas da mastigação etc.
 
- Cessada a fase aguda, o vírus se aloja num nervo e permanece em estado latente, podendo agredir em outras ocasiões, de acordo com o estado imunológico de cada um.
 
- A dor é uma constante.  O vírus se prolifera no nervo (responsável pela sensibilidade, inclusive da dor) e esta proliferação se estendendo para a pele ou mucosa, causando, então, lesões ulceradas, extremamente dolorosas (nevralgia, dor de origem nervosa).
 
Complicações do Herpes
 
O nervo trigêmio é responsável pela sensibilidade da face lateral, testa e do ouvido. Em caso de herpes em qualquer área da cabeça, pode-se observar dor em todo o trajeto deste e de outros nervos.
 
Também é comum arder, coçar, dar pontadas ou choques e sensação de queimação - tanto no local da ferida, quanto no segmento nervoso sensitivo correspondente.
 
O herpes oftálmico (no olho) pode causar destruição da retina e do nervo óptico, levando à cegueira parcial ou total. Caso o nervo auditivo (do ouvido) seja afetado, pode levar à surdez.
 
Uma grande complicação é a encefalite herpética, onde o vírus migra para o cérebro através dos nervos. Isso acontece mesmo sem haver lesão primária no tegumento.
 
É importante ficar atento a possíveis sintomas iniciais das complicações neurológicas: vertigens, náuseas, febre persistente, dor de cabeça e confusão mental.
 
O HSV II (herpes tipo II ou genital) afeta a vulva, canal vaginal, colo uterino, pênis, uretra masculina e feminina, ânus, reto, região perianal e períneo. O contato anal, genital e oral é a via de transmissão.
 
Pode haver queixas de dor ao urinar no herpes genital. Até o contato da água com as lesões pode causar intenso incômodo.
 
As recidivas do herpes simples (I e II) geralmente são nas mesmas áreas, porém isso pode variar com o tempo e outros tecidos serem contaminados.
 
Contágio do Herpes I e II
 
Herpes vitima qualquer pessoa em qualquer idade, mesmo as crianças.
 
O HSV pode sobreviver por 2 horas na pele, por 4 horas em superfícies plásticas e por até 3 horas em tecidos.
 
As formas de contágio são:
 
- Contato direto com as lesões ou utensílios recentemente contaminados.
 
- Tecnicamente é difícil identificar o tipo I e II. Os dois podem acometer qualquer área do corpo que tenha pele ou mucosa (cabeça, tronco, membros superiores e inferiores). Os dois tipos podem afetar boca e genitália.
 
- O vírus também se transmite por perdigotos (gotículas eliminadas pela boca e nariz), pela saliva e pelo sangue.
 
- É possível o contágio, mesmo na fase da crosta - quando a lesão está em regressão.
 
- Há controvérsias no que diz respeito ao contágio na fase de latência do vírus, quando não há qualquer lesão.
 
- As lesões subclínicas, imperceptíveis ou pouco valorizadas, permitem que não haja precaução no ato sexual ou no contato físico. Muitos portadores jamais desconfiarão estar com herpes, se as lesões não forem aparentes.
 
- A autoinoculação (autocontaminação) talvez explique porque muitas pessoas apresentem áreas diferentes do corpo com herpes.
 
- As mãos e o uso imprudente de lenços e toalhas contaminados carregam o vírus para partes anteriormente sãs.
 
Zoster
 
Herpes Zoster tem as mesmas características do Herpes simples, no que tange o aspecto das lesões, mas, no herpes zoster o agente etiológico é o vírus varicella-zoster - da Catapora (Varicela).
 
Se a pessoa não criar imunidade total, após desenvolver catapora, pode futuramente adquirir Zoster, em situação de baixa imunidade.
 
Nessa situação, o vírus permanece latente em gânglios nervosos próximos à coluna vertebral, e posteriormente reativa, migrando para a pele através dos nervos correspondentes a estes gânglios.
 
São lesões mais extensas e muito mais dolorosas que o Herpes Simples, acometendo qualquer nervo do corpo, sendo mais frequente no abdome e tórax, principalmente nos nervos intercostais (entre as costelas).
 
Sintomas de dor ou fenômenos parestésicos (formigamento, pontada, pele sensível, queimação) podem anteceder o aparecimento das bolhas, devido à inflamação destes nervos.
 
É mais comum nos adultos, idosos e em portadores de doenças crônicas, como câncer, AIDS e doenças autoimunes.
 
Uso prolongado de corticóides e quimioterapia propiciam o aparecimento do Zoster nos portadores do vírus.
 
A duração é de quatro a seis semanas, entretanto a dor pode persistir por semanas, meses ou anos a fio - nevralgia pós-herpética.
 
Ter herpes zoster é sinal de que a imunidade, naquele momento, está muito comprometida e deve-se investigar possíveis doenças associadas, ainda sem diagnóstico.
 
A vacina para Zoster foi manipulada com o vírus morto e oferece mais condições para o corpo se defender e criar anticorpos. Apesar de não oferecer total imunidade, se propõe a diminuir mais de 50% dos casos e está sendo preferencialmente direcionada aos idosos.
 
Fatores predisponentes para se adquirir Herpes
 
Devemos enfatizar um agente extremamente importante que favorece o surgimento dos episódios de Herpes, principalmente nos países tropicais e litorâneos: O SOL.
 
Os raios ultravioleta (UVA e UVB) inibem a ação das células de defesa da pele, além de causarem fissuras e queimaduras, comuns nos lábios e região perioral. Nesta situação, com a imunidade celular fragilizada (mesmo que o portador esteja em boas condições de saúde), as lesões herpéticas podem se reativar.
 
É imprescindível o uso de cremes com filtro solar (em todo o corpo, inclusive os lábios) e evitar a longa exposição a esses raios solares (que incidem com maior intensidade de 10 às 16 h), além de usar chapéus ou se proteger na sombra.
 
O tabagismo, uso de drogas e de bebidas alcoólicas predispõem à menor produção de anticorpos. Atuam da mesma forma, os hábitos alimentares incorretos, a falta de proteínas e vitaminas naturais, adquiridas através dos alimentos.
 
O stress físico e emocional, o cansaço e poucas horas de sono levam ao herpes; são o estopim para centenas de doenças, incluindo esta. A conscientização de sua condição de portador desta virose deve ser levada em conta, para que consiga enfrentar todas as situações adversas.
 
Febre, infecções bacterianas e as viroses consomem as defesas orgânicas. Levam ao aparecimento do herpes, principalmente entre as crianças.
 
Qualquer doença grave ou tratamentos agressivos ao corpo, como no cão se quimioterapia ou corticoterapia podem levar a infecções secundárias, incluindo o herpes herpes.
 
São comuns surtos de herpes na menopausa e na gravidez, possivelmente por deficiência imunológica.
 
Prevenção e tratamento
 
Existem medicações antivirais específicas (por via oral ou tópica) e precisam ser usadas, principalmente se o episódio for muito agressivo.
 
Cremes e pomadas cicatrizantes, que devem se determinados pelo médico.
 
Medicação de apoio - analgésica e antiinflamatória.
 
Higiene local, para evitar infecção bacteriana oportunista e disseminação do vírus para áreas adjacentes – autoinoculação.
 
Higiene com as mãos, toalhas, roupas, vasos sanitários e utensílios que possam estar contaminados e carrear o vírus. O beijo é a forma mais comum de se passar o vírus.
 
Fazer abstinência sexual até total resolução da doença (total desaparecimento das crostas). O preservativo pode (apenas pode) evitar a transmissão, mas, como no caso do Papovavírus, é muito comum o contato de mucosa ou pele contaminadas no ato sexual ou nas carícias preliminares, mesmo com todos os cuidados.
 
Boa alimentação. Incluir em seu cardápio frutas, legumes e verduras. Não fumar, não beber, não usar drogas e melhorar a sua cabeça. Isso tudo não vale só no período da doença, mas para manter seu sistema imunológico sempre alerta. Você pode ter um simples episódio sem maiores estragos e, um dia, vir a ter um quadro exuberante e sofrido, mesmo muitos anos depois.
 
Saiba identificar a lesão precocemente, para se tomar as devidas providências. Quanto mais cedo se começa o tratamento, mais fácil de abortar a evolução do herpes.
 
Devemos aqui lembrar que esta doença não é patognomônica de promiscuidade sexual, nem de falta de higiene - qualquer um pode ter herpes.
 
Fatores que propiciam as complicações
 
Ignorância quanto ao que é herpes e suas consequências.
 
Falta de acesso aos medicamentos específicos e orientação médica, principalmente por dificuldade financeira.
 
Crendices e tratamentos caseiros. Aí se inclui furar as bolhas e colocar uma série de substâncias totalmente inúteis.
 
Vergonha em revelar que está com herpes e negligenciar as formas de prevenção para não contaminar o próximo.
 
Não acreditar que esta virose pode complicar sua saúde.
 
CUIDEM-SE. QUEM TEM HERPES TEM MEDO.
 
Leila Marinho Lage
CRM 52-38501-5
Ginecologia e Obstetrícia
Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2007

 
Leiam mais temas médicos no Clube da Dona Menô:
http://www.clubedadonameno.com
Vejam o pps Herpes em E-livros


Leila Marinho Lage
Enviado por Leila Marinho Lage em 08/12/2007
Reeditado em 27/10/2009
Código do texto: T769356

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Sobre a autora
Leila Marinho Lage
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