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Migrante. Estado de origem? Pertinho, logo ali...
Vim com mãinha e mais 3 irmãs. Tem um que é paulista. O único filho homem caçula.
Mãe veio porque recebeu notícia de que pai ia casar de novo aqui em Sampa.
Lembro da balsa, jangada, navio, sei lá acho que era outro nome. Naveguei o Velho Chico e lembro da Tia Oscarina, que também vinha salvar o marido. Ela era grande, açabarcante, tudo nela era profundo. Os olhos azuis, a voz híbrida e chorosa, cabelos volumosos. Ficou gravada na memória sua imagem bem à frente da embarcação, olhar moreno daquela mulher ganhando a imensidao do Chico. Certamente falava docemente comigo. Mãe veio quieta num canto. Pensativa...A fazenda, as terras, a casa, as vaquinhas, os móveis, o forno a lenha, a vó(iá,iô - lá vó e vô se fala assim).
Talvez nunca mais...
Ela sempre falava que lá ficara uma vaquinha, com nome e tudo - a minha vaquinha. Eu já tinha mais de 30, quando uma italiana empertigada lá do servico me disse que eu parasse de falar dessa vaquinha, que nestas alturas nem existia mais, já havia virado churrasco há muito tempo. Fiquei chocada, desconcertada.
Mais tarde, talvez à noite, em casa, vi que ela tinha razão. E pensar que os outros me vêem tão diferente...
É assim que eu sou. Meio romântica, um pouco ingênua, já trabalhei isso em terapia. Agora só sei que sou assim, que preciso lembrar disso, mas jeito mesmo acho que não tem.


Data: quando entrei no Recanto 2005
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25/05/2009 – Pai e tia Osca já partiram deste planeta.
Lendo agora o trecho em que tia Osca está na frente do navio, lembrei do filme Titanic, os personagens de braços abertos gritando: “Eu sou o rei do mundo”.
Reflexiva com tantas partidas. Triste, incompetente diante do inevitável. Com raiva da morte, intrigada com os desígnios de Deus.

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03/02/2010 - Às vezes fico longo tempo sem publicar. Uma espécie de vácuo, um branco, um mergulho no nada. Não só com relação a compor, mas em tudo o mais. Tudo fica sem sabor, parece que sumiu o sal da terra. Após essa fase, volto a acessar o gosto, o sabor, é quando olho em volta e tudo parece novamente mais colorido, bonito; e viver parece ter novo sentido.
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17/12/2012 - Hoje visitei esse cantinho meu, há muito não vinha aqui. Às vezes, lendo o que escrevi, não me reconheço. Tem texto que parece que foi outra pessoa, de tanto que eu gosto. Outros, hum...
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11/11/2015, inicio uma nova etapa no RL, com a assinatura do Site do Escritor.  Pretendo trabalharcom palavras, fotos, brincar com imagens, aprender a colocar som, bucas interferir no real, através da criação, da imaginação e da ousadia. Oxalá!!!


Foto: Gosto de fotografia, brincar com as imagens, inventar personagens, retratar paisagens, documentar,  denunciar e interferir na realidade.

08/11/2019 - Tenho pensado nas pessoas. Nelas sempre pensei...Penso nas pessoas das Letras e todas as letras.  Em poetas, professores, políticos, religiosos...Em pessoas que tem acesso às mentes das outras pessoas. É triste. Haver pessoas nesse mister plantando semente de joio. O ser humano é mesmo de compreensão abissal e abismal. O bom é a esperança que nos habita. A fé que move. O belo que nos permeia. O poético que nos alimenta.

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04/06/2019. Mensagem de whatsapp. Ir com urgência ao setor de maternidade do Eistein. Uma surpresa, há muito pressentida. Olhar de mãe desejosa de ser avó. Tantas vezes me perguntei ao Divino se não era para ser. À Divina, em Fátima, quando fui deixei cartinha. Com pedidos dos amigos e o meu - em especial. Foi difícil. Por isso esconderam. Mas naquela noite aconteceu. Nada fácil. Luta para sobreviver. Quarentena no hospital, do pequeno, da mãe (recuperação, cuidados especiais) e do pai. Não sairiam do hospital sem a criança nos braços. E assim foi. Guerreiro, o pequeno viveu, se desenvolveu. Continuar em quarentena em casa. Bem depois eu vi. Nunca tinha visto um prematuro. Bem diferente. Toca perguntar para as amigas. É assim mesmo. Depois viram homens e mulheres saudáveis, belos fortes. Graças a Deus. Foi um ano feliz. 


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12/04/2021 - Desde 2020 em isolamento por causa da pandemia de covid-19.
Não basta ter a pandemia. Há o pandemônio. O País imerso na incerteza, na obscuridade, na doença, na morte. Governos locais travam luta insana para salvarem vidas. O Central, uma falta de empatia, um despreparo, um desdém pelo povo. E um povo entregue à própria sorte. Até aqui, cada um conta com só Deus e a obediência aos governos locais para o isolamento, a quarentena...eterna. Há os que boicotam, por ignorância, política, maldade. Outros se expõem por necessidade.  Não sabemos quando vai passar. Um dia passa. Muita dor, muitas perdas. Cada um resiste como pode. Reinventa-se. Home-office é a moda, o novo emprego; o canto, a arte nas varandas; a poesia, a literatura, para muitos de nós, o fio de cabelo no oceano, onde nos agarramos para não sucumbirmos. Tantos poetas, tantos artistas se foram. Tantos pais de família, mães, avós, tias, filhos, sobrinhos, netos. No começo, o grupo de risco eram os idosos, os pobres, agora o virus não discrimina mais ninguém. Ter dinheiro nem sempre é sinônimo de sobrevivência, ajuda no conforto de um tratamento melhor, numa morte assistida - será? - mas não garante a vida. Atualmente a oração predomina. Rezas, orações em redor, na frente dos hospitais. Para pacientes e profissionais da saúde, que enfrentam um sistema já precário em tempo normal, agora na pandemia é angustiante. Estamos nas mãos de Deus e de homens - os governadores e prefeitos com senso do justo, do certo e do possível nesta hora. Seguimos com a vida, a real e a virtual agora se confundem, no ritmo da espera e da esperança. O social na tela do celular, do notebook, do computador. A palavra bendita é: "Vai passar", a pandemia e oxalá, o pandemônio. Olhai por nós, ó Divino!


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